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Os erros e perigos do espiritismo

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Os Escritos de Swedenborg alertam quanto aos perigos do espiritismo

Rev. C. R. Nobre

Seja com o fim de tirar proveito da credibilidade do nome do nobre sueco, seja por ignorância, o fato é que algumas obras de referência espíritas mencionam Swedenborg como um "médium", e ele é freqüentemente assim chamado pelos espíritas.

No livro "História do Espiritismo" do famoso Arthur Conan Doyle (criador do personagem Sherlock Holmes) Swedenborg é mesmo considerado por ele como "o primeiro médium" da idade moderna. Afirma Conan Doyle sobre ele na sua História do Espiritismo: "A verdade é que Swedenborg foi o primeiro e, sob vários aspectos e de modo geral, o maior médium; estava sujeito a erros tanto quanto aos privilégios decorrentes da mediunidade" (obra citada, pág. 37). Comentando esse tipo de enfoque, uma obra idônea como a Encyclopaedia Britannica (edição inglesa) discorda de Conan Doyle e observa que a idéia normal de mediunidade contraria tal modo de ver as coisas, uma vez que Swedenborg entrou no mundo dos espíritos a partir do mundo material, enquanto no espiritismo são os espíritos que vêm ao nosso mundo.

A este respeito, cumpre então ressaltar que o papel de Swedenborg diferiu muito do daquele que se chama "médium" espírita. Na verdade, Swedenborg condenou veementemente o espiritismo, como veremos adiante. Ele mesmo nunca pensou em rasgar o véu que separa os dois mundos, e ficou surpreso de que Deus o chamasse para esta missão. Em resposta a uma carta que lhe foi dirigida, disse: "...O Senhor, entretanto, dispõe tudo de tal maneira, que os espíritos e os homens raramente se aproximam de modo a conversarem uns com os outros, pois mediante o intercurso com os espíritos, os homens são levados a tal situação da alma, que caem no perigo de perder a vida, razão por que procuro dissuadir todos aqueles que desejam manter tal intercurso. Aprouve ao Senhor, porém, permitir que eu converse e mantenha contatos com os espíritos e anjos pelas razões que têm sido expostas em meus escritos; para isso sou protegido pelo Senhor contra muitos ataques e tentativas desesperadas dos espíritos do mal" (Documentos sobre Swedenborg).

Com o fim de deixar bem clara a distinção entre a missão de profeta que teve Swedenborg, e o papel de um médium espírita, observe-se que:

 

Os médiuns espíritas buscam experiências através da meditação, concentração, sessões e treino mental.

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Diferentemente dos médiuns, Swedenborg não buscava, nem mesmo pensava em ter contato algum com espíritos ou anjos.

Os médiuns buscam e encorajam os outros a buscarem contatos com espíritos.

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Ao contrário deles, Swedenborg veementemente admoestou as pessoas a não praticarem tal coisa, em vista do perigo de serem desviadas por espíritos perversos.

A maioria dos médiuns não crê na Divindade de Jesus Cristo, afirmando que Jesus foi apenas um dos espíritos altamente evoluídos que passaram por esta terra, e por isso O chamam de "Mestre" em vez de "Senhor".

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Diferentemente deles, Swedenborg ensinou que Jesus Cristo é DEUS-HOMEM, o único Senhor, e fora d'Ele não há outro.

 

Os médiuns e espíritas crêem, em geral, que a salvação do indivíduo é operada por ele próprio, por meio de sucessivas reencarnações purificadoras.

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Diferentemente deles, Swedenborg ensinou, de acordo com as Escrituras Sagradas, que somos totalmente dependentes do Senhor para a nossa salvação, a qual se efetua por meio da regeneração ou novo nascimento espiritual e não de novo nascimento no corpo.

As origens do espiritismo moderno

No passado, nos tempos da Igreja israelita e anteriormente, a prática do espiritismo era comum, especialmente no Egito e entre os cananeus, razão porque o Senhor fez expressas restrições ao povo de Israel, proibindo-a, sob pena de execução dos que transgredissem o mandamento.

Mas foi no início do século passado que voltaram a surgir as primeiras ocorrências da idade moderna, com os primeiros contatos diretos entre espíritos e homens, no seio do mundo cristão. Poucos anos mais tarde, a obra de Léon-Hippolyte Denizart Rivail (1804-1869), pseudônimo de Allan Kardec, com os fundamentos doutrina espírita, começou a ter larga divulgação e ser aceita na França e, de lá, espalhando-se para outros países. Quase à mesma época, na vizinha Inglaterra, Sir Arthur Conan Doyle dava um fim às aventuras de seu personagem, Sherlock Holmes, para dedicar-se aos estudos do espiritismo em seu reaparecimento na era moderna. Dessa dedicação foi que surgiu a sua "História do Espiritismo". Segundo ele, a prática de se comunicar com espíritos reaparecera pouco antes, em meados do século XIX.

É interessante notar que de tal forma era nova a doutrina espírita que vários de seus dogmas, tidos hoje em dia como fundamentais para a crença espírita, foram abordadas ainda com certa hesitação por Conan Doyle. Dentre esses pontos ainda vacilantes estava a crença na reencarnação.

De fato, Conan Doyle inicia o seu livro dizendo que Swedenborg foi o primeiro médium. Com isso, o inteligente autor britânico, revelava sua ignorância quanto à natureza da missão de Swedenborg.

Aliás, Conan Doyle foi um pertinaz adversário da Nova Igreja, que é condenada no mesmo livre. Segundo ele, a Nova Igreja erra ao pregar contra contatos com espíritos e também em não tomar os espíritos como mestres. Ele dizia que, assim fazendo, a Nova Igreja perdia muito.

A diferença é, pois, flagrante entre o ensinamento da Nova Igreja e o pensamento dos espíritas, chamados kardecistas, os seguidores de Leon-Hippolyte.

A condenação das práticas comuns do espiritismo tem sido motivos de vários artigos e sermões de pastores da Nova Igreja, não por capricho, mas porque a Palavra do Senhor expressamente condena essas práticas como coisas abomináveis. E os Escritos de Swedenborg explicam o porquê dessa proibição Divina, mostrando o perigo que corre o homem que fala com espíritos e os admite como guias.

Em que o espiritismo erra

Muitas pessoas de todas as classes sociais seguem essa espécie de culto ou forma de crença, que não chega a ser ciência, nem filosofia e também se afasta do cristianismo, pois que não está em harmonia com a verdadeira ciência, nem com a verdadeira filosofia nem com a religião cristã ensinada na Palavra do Senhor.

As práticas do espiritismo ou espiritualismo, como atualmente é chamado, são conhecidas desde há muitos anos, mas só recentemente, menos de dois séculos, reapareceu e o levou à formação de sociedades para sua prática. Entre os seus adeptos há, sem dúvida alguma, muitas pessoas que são honestas e sinceras, como também há outras que não só foram enganadas mas enganam as demais.

Os que professam o cristianismo costumam declarar que a religião cristã nada conhece à respeito do mundo espiritual ou da vida após a morte. Embora isso não seja inteiramente correto, é fato que a Palavra não dá, em seu sentido literal, uma revelação completa a respeito dos céus, do inferno e do estado intermediário em que o homem entra logo depois da morte. Assim, o espiritismo se apresenta pretendendo preencher essa lacuna. Entretanto, quem lê a Palavra não ignora que os fenômenos do mundo espiritual, a sua proximidade do homem, a presença de anjos e espíritos com o homem e a sua influência para o bem ou para o mal sobre ele, são mencionados e algumas vezes descritos no Antigo Testamento bem como no Novo.

Devemos ter em mente este fato a fim de explicar os fenômenos do espiritismo. Nada pode ser mais real do que as visões tidas pelos profetas e por João; nada há mais conhecido do que as descrições das coisas ouvidas e vistas por eles. No evangelho se fala da presença de seres espirituais com o homem, não só da presença de anjos mas também de espíritos maus ou demônios.

Sabemos que o Senhor expulsava demônios e foi tentado por eles. A Palavra nos diz que os anjos tiveram comunicação com os homens cuja vista e ouvido espirituais foram abertos para esse fim. Abrahão, Ló, Jacob, Gedeão, o servo de Eliseu, Maria, todos eles tiveram visões e se comunicaram com anjos. As mulheres no sepulcro, os dois discípulos que iam a Emaús e os onze discípulos viram o Senhor depois de Sua ressurreição. Todos esses exemplos são referidas não para mostrar aos leitores que tal visão seja possível a todos os homens de hoje, nem para se desejar repetir tais experiências, mas para nosso esclarecimento.

A Palavra de Deus foi outorgada aos homens para que eles a compreendessem e fossem por ela instruídos. A sua significação celeste não foi compreendida quando, a princípio, foi revelada, mas em seu sentido literal encontramos as leis espirituais que se referem à alma humana e a sua existência neste e no outro mundo. É a Palavra de Deus que devemos consultar se quisermos compreender os fenômenos do espiritismo, os seus erros e os seus perigos.

Mas é na Nova Jerusalém que existe a chave que abre o sentido espiritual da Palavra por meio do conhecimento da lei da correspondência entre as coisas naturais e espirituais, lei essa que foi desvendada pelo Senhor por meio de Swedenborg.

Falar com os mortos é prática condenada na Bíblia

Somos contra as práticas dos espíritas de se buscar comunicação com os espíritos, porque isso é claramente proibido pela Palavra de Deus. No livro do Deuteronômio há, no Cap. 18, ver. 10 a 13, a seguinte lei: "Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança fora de diante de ti. Perfeito serás, como o SENHOR teu Deus".

O profeta Isaías também falou contra isso: "Quando, pois, vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram: Porventura não consultará o povo a seu Deus? A favor dos vivos consultar-se-á aos mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles. (Isa. 8: 19, 20).

Esta lei contra a consulta aos espíritos foi dada ao povo de Israel porque as nações vizinhas, mormente os egípcios e os babilônios, já haviam caído nessas más práticas. Os que eram chamados feiticeiros e pitões eram dessa espécie e também os magos do Egito e da Babilônia. Eles conversavam com espíritos e sentiam a sua operação em seu corpo e alma. Foi assim que o culto a Deus, naquelas nações, se converteu em culto aos demônios, e é por isso que a Igreja que existiu antes da Igreja Israelita pereceu. Assim, para que o mesmo não sucedesse à Igreja em Israel, tais comunicações lhes foram proibidas. Aqui temos, pois, a evidência histórica e bíblica sobre nosso assunto.

Alguns poderão dizer que essas coisas sucederam em uma idade antiga e que o Deuteronômio foi dado aos judeus e não aos cristãos. Responderemos que vivemos em uma idade diferente, é verdade, mas sabemos que a história sempre se repete, e a prova é a semelhança absoluta que há entre a prática dos tempos antigos em se buscar comunicação com os espíritos e as manifestações dos tempos modernos. A natureza humana é a mesma em todas as épocas do mundo, e as leis que governam o ser espiritual do homem e determinam a sua relação com o outro mundo são hoje as que eram outrora.

Doutrinas Celestes para a Nova Igreja combate energicamente o espiritismo, a magia e as práticas infernais dos tempos antigos e modernos. A revelação feita à Nova Igreja foi dada como aos profetas e a João, e não por conversa de espíritos, e toda ela se volta para um só ponto essencial: a exaltação da Divindade do Senhor Jesus Cristo e a aceitação de Sua Palavra como única autoridade.

Por essas revelações Divinas feitas e confirmadas na Palavra, a Nova Igreja conhece perfeitamente o gênero de espíritos que procuram, com habilidade infernal, seduzir a alma do homem. São dignos de compaixão os que se deixam arrastar a essa diabólica conversa com os espíritos, e os adotam como seus tutores e guias, pois sabemos que a sua perdição espiritual é certa, porquanto o espírito se apossa do livre arbítrio do indivíduo, destrói sua fé na Redenção do Senhor por Sua vinda ao mundo e o ilude com a possibilidade de novas vidas.

O único meio, "médium" real para o homem é a Palavra dos Senhor, e a fé que nos salva é crer no Senhor Jesus Cristo como o único Deus e viver segundo Seus ensinamentos.

Ordem e desordem na comunicação espiritual

O acesso entre os dois mundos foi bloqueado pelo Senhor, para a própria preservação da integridade da alma humana. Assim, anjos e bons espíritos, em estrita obediência à ordem, não falam com o homem, a não ser nas raras exceções em que o Senhor concede e ordena, para uso do homem e da Igreja. Assim aconteceu com os que apareceram e falaram Abrahão, Sarah, Ló, Josué, Manoah e sua esposa, os profetas em geral, Maria, Isabel e outros e, finalmente, com Swedenborg. Em todos esses casos, porém, não foi o homem que provocou o contato com o mundo espiritual, mas o Senhor que abriu os olhos e outros sentidos espirituais do homem para que pudesse haver a comunicação.

A conversa com espíritos resulta num constrangimento espiritual para o homem. Os doutrinais da fé, que ele deve receber pelo seu entendimento, o qual é formado pelos veros tirados da Palavra do Antigo e Novo Testamento, ser-lhe-iam impostos por terem sido proferidos por espíritos. O homem não sentiria a fé como sua, nem, conseqüentemente, a vida da fé. E ainda, espíritos diabólicos sempre procuram conduzir o homem e submetê-lo, como a um escravo, do que resulta sua morte espiritual.

Sabedores de conseqüências tão nocivas para o homem e para a raça humana como um todo, por isso é que espíritos probos e anjos não falam com o homem nem se manifestam a ele, exceto quando especialmente enviados por Deus, como nos exemplos acima citados. Se não aparecem diante do homem nem dão "provas" de sua existência, é para que o homem não seja compelido a crer,

"porque uma fé compulsória, tal como a que entra por meio de milagres, não se fixa no homem, e também poderia ser danosa para aqueles em a fé poderia ser implantada através da Palavra, num estado não constrangido" (Swedenborg, Arcanos Celestes 10751).

No Evangelho segundo Lucas encontramos a parábola de Lázaro e o rico. Este último, tendo despertado da morte e estando em sofrimento, pediu:

"Rogo-te... ó pai, que mandes (Lázaro) a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abrahão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. E disse ele: Não, pai Abrahão; mas, se algum dos mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. Porém Abrahão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tão pouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite".

A ordem é que o homem seja reformado pelas verdades da fé, e não por milagres. A ordem é que o homem seja ensinado pela Palavra, entendida aqui por "Moisés e os profetas", porque ser ensinado pela Palavra é ser ensinado pelo Senhor, só.

"... A Palavra não pode ser ensinada senão mediatamente, pelos pais, os mestres, os pregadores, os livros, e, sobretudo, por sua leitura; entretanto, ela não é ensinada por eles, mas o é pelo Senhor por meios deles... Por estas considerações pode-se ver que o homem é conduzido e ensinado pelo Senhor, só, e que o é imediatamente pelo Senhor, quando o é pela Palavra. Está aqui um arcano da sabedoria angélica" (Swedenborg, Divina Providência 172)

Depois que o homem se degenerou, o Senhor desceu, veio até a Ele e Se fez presente como a Palavra Mesma, visando a que o homem seja reconduzido a Ele por meio da Palavra, que é Ele Mesmo. Em geral, o homem é tão desprovido de percepção e de discernimento nas matérias espirituais, que fica inteiramente à mercê de qualquer falsidade, no que pode ser facilmente seduzido se for instruído e guiado por espíritos. O Senhor mesmo, então, veio, como o Espírito da verdade, o Consolador, para fazer essa obra de guiar o homem a toda verdade. Como Pai infinitamente amoroso e zeloso, Ele não abandonou os filhos ignorantes e indefesos às companhias nocivas, mas veio, Ele Mesmo, para os conduzir, se assim o desejarem. Foi, portanto, somente para proteger a liberdade espiritual do homem, que Ele fez na Palavra uma proibição tão taxativa de se transpor a barreira invisível dos dois planos.

O que dizem os Escritos de Swedenborg a respeito do espiritismo

Nos livros "Apocalipse Explicado" (1182, 1183) e "O Céu e o Inferno" (292), Swedenborg assim escreve sobre o espiritismo:

"Dir-se-á alguma coisa sobre a fala dos espíritos com o homem. Muitos acreditam que o homem pode ser ensinado pelo Senhor por meio de espíritos falando com ele, mas os que assim crêem e querem crer não sabem que há nisso perigo para suas almas.

"Enquanto o homem vive no mundo, ele está, quanto ao seu espírito, em meio aos espíritos, embora os espíritos não saibam que estão com o homem, nem o homem sabe que está entre espíritos, e isto pelo fato de eles estarem conjuntos imediatamente, quanto as afeições da vontade, e conjuntos mediatamente, quanto aos pensamentos do entendimento. Pois o homem pensa naturalmente, mas os espíritos pensam espiritualmente, e os pensamentos natural e espiritual fazem um, só, pelas correspondências. E numa unidade de correspondências, um não sabe coisa alguma sobre o outro.

"Mas quanto os espíritos começam a falar com o homem, eles saem de seu estado espiritual e entram no estado natural do homem, e então passam a saber que estão com o homem, e se conjungem com os pensamentos da afeição do homem e falam com o homem a partir desses pensamentos. Eles não podem entrar em nenhum outro estado do homem, pois que toda conjunção se efetua por afeições semelhantes e pelos pensamentos daí provenientes, ao passo que as coisas que são diferentes fazem a separação. Por esse motivo, o espírito que fala está nos mesmos princípios em que o homem está, sejam eles verdadeiros ou falsos. E esses princípios ele excita e, pela sua afeição, conjunta às afeições do homem, ele os confirma solidamente. Isto explica por que somente espíritos que são semelhantes ao homem falam com ele, ou operam manifestamente nele, pois a operação manifesta coincide com a fala. Conseqüentemente, somente espíritos carismáticos falam com os carismáticos, somente espíritos quakers operam nos quakers e somente espíritos moravianos nos moravianos. O mesmo é o caso com relação aos arianos, socinianos e outros heréticos.

"Todos os espíritos que se comunicam com o homem foram pessoas que viveram no mundo anteriormente e possuíam então o mesmo caráter. Isso me foi dado saber através de várias experiências contínuas. E o que é ainda mais absurdo é o fato de que, quando um homem acredita que fala com o Espírito Santo, ou que o Espírito Santo está operando nele, o espírito também acredita ser o Espírito Santo mesmo. Isso é bastante comum com os espíritos carismáticos.

"Tudo isso mostra o perigo em que uma pessoa se encontra quando entra em contato com espíritos, ou com aqueles que percebem suas operações manifestamente. O ser humano não sabe qual é a qualidade de suas afeições, sejam boas ou más, ou com quais espíritos estão conjuntos; e se o homem está no orgulho da própria inteligência o espírito presente com ele incita cada pensamento que vem desse orgulho. (..)

"Quando um espírito de uma mesma afeição incita os pensamentos do homem ou os seus princípios, um guia o outro como se um cego guiasse outro cego, até que ambos caem num poço. Os primeiros pitões eram desse caráter, assim como os mágicos no Egito e na Babilônia, que eram chamados magos porque falavam com espíritos e porque percebiam claramente a operação dos espíritos neles mesmos. E por essa razão, o culto a Deus foi mudando para o culto ao demônio, e a igreja deteriorou-se. Por este motivo, a interação entre homens e os espíritos foi proibida aos filhos de Israel, sob pena de morte.

Sucede o oposto com aqueles que são guiados pelo Senhor: Ele guia aqueles que amam as verdades e as desejam por Ele. Esses são instruídos quando lêem a Palavra, porque o Senhor está na Palavra e fala com todos de acordo com o entendimento de cada um....

"Cada homem, como foi dito anteriormente, é guiado pelo Senhor por meio de afeições, e por elas pensa em liberdade como se por si mesmo; se isso não fosse assim, o homem seria incapaz de reformar-se, e nem poderia ser instruído. Mas o homem é instruído de diversas maneiras, cada um de acordo com a qualidade de sua afeição e da sua conseqüente inteligência. Aqueles que estão na afeição espiritual da verdade são elevados à luz do céu até que possam compreender a instrução".

"Estas coisas me foram concedias ver e por elas perceber, claramente, o que vem do Senhor e o que vem dos anjos. O que vem do Senhor, eu escrevi, e o que vem dos anjos, não escrevi. Ademais, foi-me concedido falar com os anjos como um homem fala com outro homem, e ver as coisas que estão nos céus e nos infernos, e isto pelo fato de que a Igreja atual chegou ao seu fim, e está às portas o começo de uma nova, que será a Nova Jerusalém. E para esta deve ser revelado que o Senhor governa o universo, o céu e o mundo, que há um céu e um inferno, e como eles são; e que os homens vivem como homens após a morte, os que foram conduzidos pelo Senhor, no céu, mas o que se conduziram a si mesmos, no inferno; a Palavra é a Divina verdade mesma do Senhor na terra; e também que o Juízo Final estás vivem como homens após a morte, os que foram conduzidos pelo Senhor, no céu, mas o que se conduziram a si mesmos, no inferno; a Palavra é a Divina verdade mesma do Senhor na terra; e também que o Juízo Final está cumprido, a fim de que o homem não fique em eterna expectativa neste mundo; além de muitas outras coisas que pertencem à luz que agora surge após as trevas".

"O Senhor vela com o maior cuidado para que os espíritos não saibam que estão no homem, pois se o soubessem, eles falaria com ele, e então os espíritos maus o perderiam, porque esse maus espíritos, tendo sido ligados ao inferno, não têmêm prazer maior senão o de perder o homem, não somente quanto à alma, isto é, quanto à fé e o amor, como também quanto ao corpo. Não se dá o mesmo quando eles não falam com o homem; então eles não sabem também que o pensam e também o que falavam entre si, ele crêem que aquilo que estão pensando e falando lhes pertence, e cada um estima e ama o que lhe pertence. Assim os espíritos são por esse meio constrangidos a amar e a estimar o homem, apesar de o não saberem". (O Céu e o Inferno, 292).

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