Swedenborg, Vida e Ensinamentos  - Capítulos I a III - Português
Swedenborg, Life & Teachings -  Chapters I to III - Portuguese

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Swedenborg

Vida e Ensinamentos

  

G.L.Trobridge

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Tradução de Raimundo Araujo Castro Neto

 

Sociedade Religiosa "A Nova Jerusalém"

Rua das Graças, 45 - Bairro de Fátima - 20.240-030 - Rio de Janeiro, RJ

1998

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 Publicado pela Sociedade Religiosa "A Nova Jerusalém" com gentil permissão de

The Swedenborg Society

Swedenborg House,

20/21 Bloomsbury Way,

London WC1A 2TH

 

Direitos autorais reservados

 

 

Traduzido por Raimundo Araújo Castro Neto;

Revisado por Eloah e Raymundo A. Castro Filho,

com colaboração de Felipe Magioli

Editado por C. R. Nobre

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 Prefácio à primeira edição em português

 

Estamos aqui diante da primeira edição em língua portuguesa da obra de George L. Trobridge sobre Emanuel Swedenborg, tradução de Raimundo Araujo Castro Neto, texto da 4a. edição em inglês do livro em que preliminarmente se explica tratar-se da tentativa de revisão em quase trinta anos do trabalho original de Trobridge. A 1a. edição é de 1907 e a 4a. é de 1935. Fica-se sabendo que "constituiu tarefa exaustiva, incluindo emendas, reformulação de frases e resumo de textos". "Drástica a revisão em alguns casos", o livro certamente continua sendo, em substância, enredo e execução, a mesma obra escrita originalmente pelo autor".

Que dizer desta 1a. edição em língua portuguesa?

Sem dúvida, iniciativa que tem vários aspectos positivos, não sendo o menor o de tornar mais conhecido do público brasileiro e, de modo geral, do mundo da lusofonia, que abrange também Portugal e ex-colônias, a personalidade e a obra de Emanuel Swedenborg, o que significa contribuir para divulgar figura notabilíssima do pensamento mundial em todos os tempos.

É preciso insistir que a iniciativa transcende o alcance de divulgar a Doutrina da Nova Igreja pela "A Nova Jerusalém", nome que lhe deram no Brasil, onde a instituição comemorou recentemente um século de existência, limitada embora a pequeno número de fiéis, tendo ficado circunscrita à cidade do Rio de Janeiro, onde tem bonito templo próprio.

Culturalmente, é um feito significativo, visto que Swedenborg, conhecido até certo ponto no âmbito do esoterismo, embora não fosse esotérico, não mereceu até hoje, entre nós, divulgação mais ampla.

O conhecimento de Swedenborg sobre o esoterismo é tratado pelo um grande poeta inglês, William Blake, que começa a escrever e a desenhar quando aquele morre na Inglaterra, em 1772. Blake afirma no Casamento do Céu e do Inferno que não foi a originalidade das teorias de Swedenborg que se tornou um culto atraente, mas a capacidade de Swedenborg de resumir e popularizar muitas noções místicas paralelas aos cultos cabalísticos herméticos, o que entretanto não nos leva a concluir pela pouca influência de Swedenborg sobre o pensamento de Blake. Corretamente se deve olhar esta apreciação de Blake como excentricidade das tantas em que ela era pródigo, e lembrar o que escreveu William Butler Yeats: "William Blake era um homem clamando por uma mitologia, tentando fazê-la, porque não havia uma ao seu alcance". Já na opinião de James Joyce, a posição de Blake entre os artistas místicos de reunir ao misticismo penetração intelectual se deve à influência que sobre ele teve Swedenborg. Aliás, não se trata unicamente de esoterismo, expondo Joyce: "A influência de Swedenborg, que morreu exilado em Londres quando Blake começava a escrever e desenhar, se adverte na glorificação da humanidade que constitui a marca de toda a obra de Blake". Essa influência está longe de ser caso isolado. Num trabalho que procura orientar o estudo do simbolismo do ponto de vista da literatura comparada, a professora Ana Balakian, da Universidade de New York, escreveu: "Os simbolistas e sua coterie internacional aceitaram uma origem comum na filosofia de Swedenborg, que já havia conseguido se infiltrar em formas artísticas através dos literatos iluminados (literary illuminnists), como Gerar de Nerval, Novalis, Blake e Emerson".

Retomando o tema do esoterismo, embora sabendo que Swedenborg não era médium nem espírita, não se pode deixar de citar o que afirma Conan Doyle sobre ele na sua História do Espiritismo: "A verdade é que Swedenborg foi o primeiro e, sob vários aspectos e de modo geral, o maior médium; estava sujeito a erros tanto quanto aos privilégios decorrentes da mediunidade" (obra citada, pág. 37). Comentando esse tipo de enfoque, a Encyclopaedia Britannica discorda de Conan Doyle e observa que a idéia normal de mediunidade contraria tal modo de ver as coisas, uma vez que Swedenborg entrou no mundo dos espíritos a partir do mundo material, enquanto no espiritismo são os espíritos que vêm ao nosso mundo.

Na biografia de Trobridge se pode ver a preocupação de Swedenborg com a tradição esotérica. Por exemplo, quando fala da emoção que lhe causou se deparar com o túmulo de Casaubon na abadia de Westminster. Isaac Casaubon (1559-1614) foi erudito e religioso, nascido em Genebra, Suíça, naturalizou-se inglês, se converteu ao anglicanismo, mas sua celebridade vem de ter sido o primeiro que, com fundamento, afirmou que, embora possa ter havido alguém em tempos remotos com o nome de Hermes Trimegisto ("Hermes três-vezes-o-máximo"), grande parte da obra que lhe é atribuída consta de falsificações de cristãos.

Trobridge historia a evolução das idéias de Swedenborg, da relação entre corpo e alma, até quando sua visão espiritual começa a ser aberta, em 1743, e, finalmente, em abril de 1745, foi estabelecida sua comunicação com anjos e espíritos, passando a falar com eles como as pessoas normalmente conversam entre si neste mundo. Tudo culmina com a aparição do próprio Senhor a ele, em abril de 1745, afirmando Swedenborg tratar-se do mesmo Homem que já havia encontrado anteriormente e que Se apresentara como o Senhor Deus, Criador do mundo, o Redentor, e que havia escolhido a ele, Swedenborg, para explicar aos homens o sentido espiritual das Escrituras Santas. Conclui Trobridge: "Um depoimento realmente notável, feito de modo claro e simples. Para saber se Swedenborg foi realmente favorecido, basta consultarmos os seus trabalhos, que são a única resposta satisfatória a essa pergunta". Confirmando essa afirmação, citaremos a Verdadeira Religião Cristã, n. 200: "É por este sentido que a Palavra foi divinamente inspirada e é santa em cada vocábulo. Diz-se, na Igreja, que a Palavra é santa, e isso porque JEHOVAH o Senhor a pronunciou. Mas como a santidade da Palavra não se manifesta no sentido da letra somente, aquele que, por causa disso, duvida uma vez de sua santidade, confirma-se em seguida nessa dúvida por várias passagens da Palavra, quando a lê, pois diz em si mesmo: Será que isto é santo? será que isto é divino? Portanto, a fim de que um tal pensamento não influa sobre muitos e depois não se afirme cada vez mais e a Palavra seja rejeitada como um escrito desprezível, e assim a conjunção do Senhor com o homem pereça, aprouve ao Senhor revelar agora o sentido espiritual da Palavra, para que se saiba onde nela está encerrado o santo Divino".

Para todos da Nova Igreja, os Escritos de Swedenborg revelam o sentido interno das Escrituras Sagradas, revelação essa que é considerada a Segunda Vinda do Senhor. E uma vez conhecido o conteúdo espiritual da Palavra, a felicidade dos neo-hierosolimitas está em usá-lo, como se diz no Evangelho de João: "Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes" (13:17).

 

Raymundo de Araujo Castro Filho

 

 

 

 

Prefácio à quarta edição em língua inglesa

 

Esta biografia de Emanuel Swedenborg, por George Trobridge, teve sua primeira edição publicada em 1907, sob os auspícios da Sociedade Swedenborg. Uma segunda edição, aumentada e ilustrada, foi publicada em 1920. A terceira edição, resumida e em brochura, foi lançada em 1930.

Na preparação desta quarta edição verificamos que as mudanças ocorridas neste último quarto de século foram tão abrangentes que um livro escrito antes da guerra teria, necessariamente, de ser atualizado, a fim de continuar fiel aos propósitos idealizados por seu autor. Os últimos vinte e cinco anos não trouxeram apenas descobertas científicas que modificaram nossa concepção do universo, tampouco apenas mudanças econômico-sociais que redirecionaram o pensamento religioso, mas, também, súbita e generalizada modificação no modo de escrever e até mesmo na própria associação das palavras. O revisor, portanto, procurou dar a esta edição fisionomia moderna, além de proceder às revisões de praxe. O trabalho foi exaustivo e incluiu emendas, reformulação de frases e resumo de textos. Em alguns casos, a revisão foi drástica. Entretanto, o livro certamente continua sendo, em substância, enredo e execução, o mesmo "Vida de Swedenborg", tal qual escrito por Trobridge.

O trabalho do revisor certamente mereceria a aprovação do autor, se este ainda fosse vivo, pois as mudanças introduzidas se tornaram necessárias para manter o texto coerente com os objetivos do autor. Os trechos que aparecem entre aspas não indicam remissão ou referência da fonte. Em quase todos os casos foram extraídos da obra Documentos sobre Swedenborg, de autoria do Dr. R. L. Tafel, uma coletânea que registra informações coligidas pelo autor na Suécia, na Inglaterra, na Alemanha e nos Estados Unidos. Nos demais casos, trata-se de informações divulgadas depois da publicação da obra do Dr. Tafel.

E. C. M.

Setembro de 1935

 

 

ÍNDICE

 

Cap. 1 - A hereditariedade e os primeiros anos

 

O fato de Emanuel Swedenborg ter passado da ciência natural para a teologia em plena meia idade, é ainda hoje motivo de espanto; o seu interesse pelos assuntos teológicos pode ser explicado por sua hereditariedade. Seu pai era um eminente bispo luterano e portanto ele cresceu num ambiente teológico, enquanto seus avós paterno e materno estavam ligados à indústria sueca de mineração. Daniel Isaacsson, o pai do bispo Swedberg, era mineiro e dono de minas em Fahlun, que ascendeu da pobreza à riqueza através de bons negócios de mineração. Albrecht Behm, o avô materno de Swedenborg, tinha ocupado um cargo importante no Conselho de Mineração, cargo este que Swedenborg mais tarde veio a ocupar.

A diversidade de sobrenomes na mesma família é explicada pelo costume da adoção de novos sobrenomes, às vezes pelo lugar de domicílio da família, ao invés do patronímico familiar, e pelo título de nobreza concedido à família Swedberg. Os filhos de Daniel Isaacsson se chamaram Swedberg, tirado do nome de seu domicílio - "Sweden", a Suécia. Mais tarde, o nome foi mudado para Swedenborg, quando a Rainha Ulrica Eleonora concedeu o título de nobreza à família do bispo, em 1719.

Jesper Swedberg, nascido em 1653, pai de Emanuel, foi o segundo filho de Daniel Isaacsson. Seus pais, pessoas muito piedosas, o dedicaram à igreja e foi ordenado em 1682. Foi designado Capelão da Cavalaria da Guarda no mesmo ano, nomeado Capelão da Corte em 1686, Deão e Pastor de Vingaker em 1690, Professor da Universidade de Uppsala em 1692, Deão de Uppsala, em 1694, e Bispo de Skara, em 1702, tendo ocupado este último posto durante trinta e três anos. Era homem de vida correta e piedosa, trabalhador incansável e reformador entusiástico. Com efeito, pode-se dizer que sua conduta exemplar lhe deu um papel de destaque entre seus pares, a ponto de provocar o seguinte comentário de um de seus contemporâneos: "Se ele tivesse vivido alguns séculos antes, a Suécia teria hoje número bem maior de santos. Sua sabedoria, seu espírito empreendedor, seu exemplo de vida e sua dedicação à glória de Deus, merecem ser reverenciados até neste século de maior saber". Ele se dedicou muito à causa da educação, tanto como capelão do exército, quando instituiu um prêmio para cada soldado que aprendesse a ler, quanto como professor de teologia e, mais tarde, reitor da Universidade de Uppsala. Procedeu à reforma do ensino público, escrevendo e editando muitos livros didáticos e, de todas as maneiras, contribuiu para promover o avanço do ensino.

Embora a Suécia fosse um país protestante, o estudo da Bíblia estava bastante negligenciado. Com efeito, a Bíblia tinha se tornado artigo de luxo, devido ao alto preço cobrado pelos editores. Swedberg tentou remediar essa situação, providenciando a publicação de uma edição popular do livro a preço acessível a todos; embora a empresa contasse com a autorização real e Swedberg custeasse de seu próprio bolso grande parte da edição, o projeto malogrou, devido às pressões de poderosos editores. Seus esforços com vistas à revisão da versão sueca da Bíblia também fracassaram; sua tentativa de melhorar o Hino Nacional da Suécia e o Livro dos Salmos valeram-lhe acusação de heresia e ambos os trabalhos foram reprimidos. Parece que Swedberg foi vítima da inveja, da apatia e do conservadorismo obstinado daqueles que deveriam ter sido seus maiores aliados. Apesar de tudo, perseverou nos seus nobres intentos até o fim de sua vida.

A religião de Jesper Swedberg era eminentemente prática. Na Igreja Luterana, a exemplo de outras denominações protestantes, a fé foi elevada a um nível tal de preeminência, que as boas ações ficaram depreciadas e a moralidade conseqüentemente comprometida. Swedberg achava que a verdadeira fé não poderia estar dissociada de uma vida produtiva e caritativa. Ele denunciava que "muitos se contentavam com o primeiro e segundo parágrafos da "grande fé" (stor-trön em sueco), mas não prestavam atenção aos ensinamentos do terceiro parágrafo, com a "santificação e uma vida sagrada". "A fé da cabeça" (hjarne trön), ou seja, a "fé do cérebro" e a "fé do demônio" eram para ele sinônimos. Foi um pregador destemido, denunciando tanto as faltas daqueles que ocupavam cargos importantes, como os deslizes dos mais modestos pecadores; era especialmente severo com a falta de religiosidade desses últimos e sua abusiva e escandalosa dependência da assistência da igreja.

Seu ecumenismo era notável, considerando-se a época em que viveu. Estava sempre pronto a aceitar as coisas boas de todas as religiões e durante uma visita à Inglaterra chegou a discutir fervorosamente a questão da unificação das denominações cristãs com o Bispo Fell, de Oxford. Admirava o trabalho social da igreja nos países católicos romanos, bem como a dedicação das pessoas influentes desses países aos doentes e pobres; em seu próprio país louvou a prodigalidade dos "piedosos", embora não concordasse com todos os seus ensinamentos e práticas. O Conselheiro Sandels descreveu Swedberg como "homem obstinado, mas sem preconceitos". Era homem de gostos e hábitos simples, fácil de se satisfazer, que teve um razoável quinhão da riqueza deste mundo, mas morreu pobre, tendo gastado boa parte de sua riqueza na impressão e edição de livros e outros projetos sem fins lucrativos.

A maioria de seus livros não teve êxito e ele se queixava de estar com seus depósitos cheios de livros encalhados, acrescentando, jocosamente, que depois de sua morte as mulheres iriam usá-los como lenha para fazer seus bolos.

Não é de admirar que, para um homem devotado e zeloso como o Bispo Swedberg, as coisas do mundo espiritual tenham sido sempre tão tangíveis. Acreditava piamente na presença de anjos entre os homens e no seu papel de "espíritos ministradores", enviados para revelar aqueles que serão os "legatários da salvação" (Heb. 1:14). Viveu na companhia de seu "anjo da guarda" com quem dizia conversar de vez em quando. Acreditava ter outros dons espirituais, que se manifestavam em certas ocasiões, e parece ter tido poderes hipnóticos de cura. Não muito depois de sua ordenação, conta que ele e os moradores do povoado onde morava ouviram vozes vindas da igreja na hora do crepúsculo. Esse fato o convenceu da presença de visitantes angélicos e fez que reforçasse sua crença na divindade da missão a que se tinha dedicado.

Todos esses fatos tiveram ainda maior influência nas extraordinárias experiências de seu filho Emanuel; a idéia do relacionamento íntimo que subsiste entre o mundo físico e o espiritual indubitavelmente provém dos ensinamentos de seu pai.

Este é o perfil do pai do nosso biografado. De sua mãe não há muitas notícias; ela era obviamente muito ocupada com suas tarefas domésticas, tendo tido nove filhos durante seus doze anos de vida matrimonial. Morreu aos trinta anos de idade, quando Emanuel tinha apenas oito anos. Estranhamente, sabe-se muito pouco a respeito da infância de Swedenborg. Nasceu em Estocolmo, a 29 de janeiro de 1688 e era o segundo filho homem e terceiro rebento dos pais. Além disso, tudo o que se sabe sobre essa fase de sua vida provém de uma carta que escreveu, em 1769, a seu amigo, Dr. Beyer, professor de grego na Universidade de Gotemburgo. Na carta diz: "Dos quatro aos dez anos eu estava constantemente meditando sobre Deus, a salvação e as experiências espirituais do homem; às vezes fazia revelações que levavam meus pais a dizer que os anjos estavam falando através de mim. Dos seis aos doze anos eu tinha muito prazer em conversar com clérigos sobre fé, afirmando-lhes que o que dá vida à fé é o amor e que o amor que é a fonte da vida é o amor ao próximo; dizia-lhes também que Deus deu a fé para todos, mas só aqueles que praticam o amor são merecedores dela. Naquele tempo eu só sabia que Deus era o Criador e Preservador da Natureza e que Ele deu ao homem compreensão e boa disposição e algumas outras coisas do gênero. Eu não sabia nada sobre aquela fé cultivada que nos ensina que Deus, o Pai, transmite as virtudes de Seu Filho a quem quer que seja e, a qualquer tempo que Ele escolha, até mesmo àqueles que ainda não se arrependeram e não reabilitaram suas vidas. E se isso me tivesse sido revelado, naquela época como agora, tudo estaria muito acima de minha compreensão".

Se nos faltam dados concretos sobre a infância de Swedenborg, podemos preencher as lacunas usando nossa imaginação a partir dos conhecimentos que temos sobre sua família. Na ocasião de seu nascimento, seu pai exercia as funções de Capelão da Corte, em Estocolmo. Portanto, ele passou os primeiros três ou quatro anos de vida naquela capital e obviamente levou a impressão da cidade grande, com seus pomposos edifícios, a correnteza verde das águas oriundas do Lago Malaren, seus navios, suas paradas militares e o vai-e-vém de aristocratas e nobres em suas charretes de verão ou trenós de inverno, para a casa rural em Vingaker, onde a família foi morar em 1692. Aí, durante uns poucos meses ele se deleitou, como qualquer criança, com passeios intermináveis pelos campos floridos e magníficas fazendas onde ele e seus pais eram afetuosamente tratados pelos paroquianos.

Os dez anos seguintes de sua vida foram passados em Uppsala, onde a família foi residir na Praça da Catedral. Foi nessa cidade que ele teve seus primeiros anos de instrução escolar. Seu professor foi Johanness Moraeus, conhecido por Dr. Moraeus, seu primo pelo lado materno; além disso, pouco se sabe sobre seus estudos. O Conselheiro Sandels nos fala sobre "o cuidado especial que se deu à sua educação" e conhecendo-se seu pai, não podemos duvidar desse testemunho.

Uppsala, onde Swedenborg passou seus dias felizes de infância, era, na época, uma cidade de cinco mil habitantes, e sua catedral era considerada o mais majestoso edifício gótico do norte da Europa. Foi local da coroação e túmulo de muitos monarcas. Pode-se imaginar o menino Swedenborg, caminhando entre esses monumentos, a meditar sobre toda aquela grandeza, desvanecido ou atento aos ritos do serviço diário de que seu pai sempre participava. Esses serviços não eram insípidos e monótonos como os ritos protestantes da época em alguns países da Europa, pois a Igreja Luterana tinha conservado alguns ritos do culto católico romano. Um retrato de Jesper Swedberg nos mostra ele sentado à mesa, com uma Bíblia aberta, certamente, num de seus textos favoritos (I Cor. 16:22): "Se alguém não ama o Senhor Jesus Cristo, seja anátema. Maranata". Acima do livro sagrado aparece um crucifixo. Por uma porta aberta, em cujo portal há uma cruz, pode-se vislumbrar o interior de uma igreja com um altar, velas acesas e uma peça de altar mais acima.

Podemos imaginar com que interesse Emanuel contemplava o "moderno e grandioso edifício de pedra" de seu pai, no centro da praça; e a impressão que causou aos seus olhos de criança o incêndio que, logo depois de sua inauguração, destruiu, não apenas a casa, como outros prédios vizinhos, inclusive a grande catedral.

A história da construção dessa casa, tal qual aparece no "Almanaque Biográfico Sueco" (Swedish Biographiskt Lexicon), nos dá um testemunho esclarecedor sobre o caráter do pai de Swedenborg. "É interessante", diz o autor, "escutá-lo falar sobre a construção de sua nova casa. Eu sei, e posso testemunhar, pois presenciei tudo, que nenhum trabalho foi feito, nenhuma pedra foi levantada com hesitação ou incerteza; tudo foi feito com prazer e alegria. Não se ouviam queixas, lamúrias, discussões, insultos ou imprecações". Quando a obra acabou, no outono de 1698, ele convidou para a festa da inauguração todos os pobres da cidade. Ele, sua mulher e seus filhos serviram todos os convidados. Tudo transcorreu dentro da mais perfeita ordem e essa festa de caridade se encerrou com cânticos, preces, bênçãos mútuas e graças a Deus". Podemos supor que Swedenborg, então com dez anos de idade, participou de toda essa festa.

Outra circunstância que deve ter marcado sobremaneira a memória de Swedenborg foi a morte de sua mãe, em 1696, seguida da morte de seu irmão mais velho, poucas semanas depois. Dos filhos que restaram (sete além dele próprio), sua favorita era sua irmã Ana, dezesseis meses mais velha que ele. Antes de completar dezessete anos, ela se casou com o Dr. Ericus Benzelius, bibliotecário da Universidade de Uppsala; mas ela não se desligou de seu querido irmão. Foi nessa época que Swedenborg entrou para a faculdade e todas as indicações levam-nos a concluir que morou com ela até sair da universidade, em 1709, de vez que seu pai tinha se mudado para Brunsbo, em 1702, onde foi designado para o bispado de Skara. Nada sabemos sobre suas atividades durante esse período. Certamente ele não deve ter vivido todo esse tempo em vão. Entretanto, não há nenhum registro de que tenha realizado algo de espetacular durante esse período. O Conselheiro Sandels nos diz que "ele aproveitou ao máximo as regalias que ele e alguns poucos tinham" e classifica sua dissertação final de formatura na universidade, elaborada com a orientação de seus superiores, como "um trabalho muito inteligente para um jovem". Depois de deixar a universidade, publicou alguns de seus poemas em latim, que, segundo o conselheiro Sandels, mostravam "formidável sagacidade e que havia feito bom uso de sua juventude". Swedenborg continuou nessa atividade por alguns anos, e chegou a ser considerado poeta entre seus familiares.

Livre dos tutores, aulas e livros escolares, Swedenborg se refugia em Brunsbo, na residência episcopal perto de Skara, e começa a elaborar os planos para uma longa viagem ao estrangeiro. A maior dificuldade parece ter sido arranjar os recursos para a viagem; seu pai era um homem de poucas posses, muitos compromissos e não muito longe da penúria. Em carta datada de 13 de julho de 1709, Swedenborg pede a seu cunhado, Benzelius, assistência para seu projeto de viagem. Também solicita sua recomendação para uma faculdade inglesa, onde pudesse aperfeiçoar seus conhecimentos de matemática, física e história natural. Propunha-se a preparar um resumo das principais descobertas ocorridas no campo da matemática ao longo dos séculos e acrescentar-lhes tudo o que pudesse descobrir no curso de suas viagens.

Nessa mesma carta ele diz ao cunhado que aprendeu a arte da encadernação com um homem que trabalhou para seu pai. Cito este fato para ilustrar a natureza empreendedora e prática de Swedenborg. Aonde quer que fosse em suas viagens, sempre procurava aprender um ofício. Escrevendo de Londres, em 1711, diz: "Também resolvi hospedar-me em oficinas; primeiro foi numa relojoaria, depois numa carpintaria e, atualmente, estou hospedado na oficina de um fabricante de instrumentos matemáticos; com eles aprendo ofícios que me serão de muita valia vida afora". Aprendeu também a fazer instrumentos de latão; mais tarde, em Leyden, a moer vidro para a fabricação de lentes e outras artes que o habilitassem a fabricar artefatos que não podia comprar. Seu cunhado encomendou-lhe, durante sua estada na Inglaterra, alguns globos terrestres para a biblioteca da Universidade de Uppsala; como os globos custassem muito caro e seu transporte fosse muito dificultoso, foi-lhe pedido que conseguisse as chapas gravadas para serem montadas na Suécia. Diante da recusa dos fabricantes de fornecer as chapas gravadas, o jovem Swedenborg aplicou-se na arte de gravar e fez ele mesmo as chapas.

Mas voltemos ao início da história. Passou-se um ano desde o pedido que fizera ao cunhado Benzelius e ele ainda não conseguira iniciar sua viagem. Um ano inteiro de frustração e espera. Esse não foi um período feliz na vida do irrequieto Emanuel; principalmente pela objeção a seus estudos em casa. O arcebispo, muito ocupado e eminentemente prático, gostava tanto de matemática quanto de metafísica. Certamente, não via com bons olhos a perspectiva de ter um filho de vinte e dois anos levando uma vida inativa e sem profissão definida. Não há dúvida de que o filho (Swedenborg) estava insatisfeito. Em 6 de março de 1710, escreve a Benzelius, o grande amigo de sua juventude: "Não tenho nenhum desejo de permanecer aqui por muito tempo; acho que estou perdendo quase todo o meu tempo. Por outro lado, tenho feito tantos progressos na música que já substituí o organista, em várias ocasiões; mas este lugar me dá pouca chance de fazer outros estudos; e esses estudos não são bem vistos por aqueles que deveriam me estimular a fazê-los".

Um paliativo para esse estado de insatisfação foi a visita que Swedenborg fez ao famoso inventor sueco, Christopher Polhammar (mais tarde conhecido por seu título nobiliárquico, Polhem). Na companhia dele, o jovem Swedenborg estava em seu elemento e Polhammar gostou de seu desempenho, como nota naquela carta a Benzelius: "Nós nos demos muito bem, especialmente quando descobri que ele era capaz de me ajudar nas experiências do projeto de mecânica que estou desenvolvendo. Nesse particular, devo mais a ele do que ele me deve. Ademais, dou muito mais valor a uma pessoa inteligente e ágil com quem posso conversar sobre assuntos a respeito dos quais sei muito pouco, do que a umas poucas semanas de casa e comida".

O outono de 1710 vai encontrar o jovem Swedenborg em Londres; e a partir desta data, suas cartas ocasionais para o Dr. Benzelius nos dão um breve mas interessante relato de suas atividades durante os cinco anos em que esteve longe da Suécia.

Sua viagem para Londres não transcorreu sem incidentes. Com efeito, sua vida esteve em perigo em quatro ocasiões. O navio em que viajava foi abalroado ao se aproximar da costa inglesa; logo depois, o navio foi tomado de assalto por piratas. Em seguida foi alvo da artilharia de navios da marinha inglesa que o tomaram pelo navio de piratas; finalmente, depois de chegar são e salvo a Londres, Swedenborg escapou por um triz de morrer na forca, por ter infringido a ordem de quarentena imposta por causa da epidemia de peste que grassava na Suécia.

Sua primeira carta para Benzelius, escrita de Londres, é muito interessante e revela, não somente "seu imoderado desejo" (para usar a expressão que usou em carta posterior) de estudar, como pela notável abrangência de seus interesses.

"Estudo Newton diariamente", diz, "e estou muito ansioso para conhecê-lo e ouvi-lo. Já me supri de um número razoável de livros para o estudo da matemática e também de alguns instrumentos que são, além de um ornamento, de grande valia no estudo das ciências: um telescópio, vários tipos de quadrantes, prismas, microscópios, balanças e câmara escura, fabricados por William Hunt e Thomas Everard, que muito admiro e que você também admirará. Depois de pagar todas as minhas contas, espero ainda ter dinheiro para comprar uma bomba de ar".

Não parece que seu desejo de conhecer Newton se concretizou, embora, na Inglaterra, tenha-se relacionado com personalidades notáveis como Flamsteed, Halley e Woodward, tendo este último o apresentado a vários membros da Sociedade Real de Ciências e a outros intelectuais de renome.

Entre outros registros de interesse desta carta datada de 13 de outubro de 1710, destaca-se este: "A magnífica Catedral de São Paulo foi totalmente terminada há alguns dias". Parece fora de dúvida que a pureza virginal desse extraordinário templo, com todos os seus detalhes ainda livres da mácula da fumaça negra da grande cidade, causou vívida impressão no jovem Swedenborg.

Mas ficou ainda mais encantado com Westminster; não propriamente com a arquitetura que nem mesmo chega a comentar: "Examinando os monumentos reais na Abadia de Westminster", diz, "deparei com o túmulo de Casaubon; movido pela inspiração do meu amor por este herói literário, curvei-me, beijei seu túmulo e dediquei à sua cabeleira, sob o mármore frio, alguns versos em latim que não cabe transcrever".

De seus estudos na Inglaterra, a matemática e a astronomia parecem ter sido os que absorveram a maior parte de seu tempo. Escreve, em carta datada de abril de 1711: "Visito, diariamente, os melhores matemáticos aqui da cidade. Estive com Flamsteed, considerado o melhor astrônomo da Inglaterra, e que está sempre fazendo observações". Em carta escrita em fins de 1711 ou início de 1712, relata suas conversas com Flamsteed e remete uma lista de publicações de autoria deste, que Benzelius lhe havia encomendado. Também fala com entusiasmo de seus significativos progressos e de seus planos para o futuro.

"No tocante à astronomia", diz, "já reúno conhecimentos que me serão muito úteis no estudo dessa ciência. Embora no início meu cérebro doesse, as longas especulações teóricas não me são mais tão penosas. Examinei detidamente todas as proposições para determinar a longitude terrestre, mas nenhuma me convenceu. Então decidi formular meu próprio método, com base na Lua; o método parece à prova de erro e estou certo de que é o melhor proposto até aqui. Dentro em breve submeterei essa minha proposição à Sociedade Real de Ciências. Se a proposição merecer a acolhida daquela entidade, vou publicá-la aqui ou na França. Já descobri também vários novos métodos para observar a Lua, os planetas e as estrelas. O que trata especificamente da Lua e seus paralaxes deverá ser publicado brevemente. Agora ando ocupado com os meus estudos de álgebra e geometria avançada; tenciono estar em condições de dar continuidade às descobertas feitas por Polhammar".

Os amigos do jovem Swedenborg que moravam na Suécia freqüentemente se valiam de seus préstimos na Inglaterra. Às vezes era para achar um livro para a biblioteca da Universidade; noutras vezes para comprar instrumentos ou para instruções sobre o melhor método de usar esses instrumentos. Para o cunhado, comprou lentes para um telescópio de 24 pés, um microscópio e atendeu tantas encomendas de livros que o obrigaram a "saquear" livrarias e participar de leilões, atividades nada incômodas para ele. A Sociedade Literária de Uppsala também lhe confiou muitas tarefas, através de um de seus membros, o Professor Elfvius, por quem Swedenborg foi incumbido de registrar os métodos de observação usados por Flamsteed, os instrumentos por ele utilizados etc. Depois de detalhar vários pedidos, o professor Elfvius encerra uma de suas cartas assim: "Confio todas as tarefas acima e tudo mais que possa interessar aos nossos estudos de matemática à sede de conhecimento do Sr. Swedberg".

Um assunto pelo qual o Professor Elfvius manifestara particular interesse era saber o que os ingleses achavam dos Principia de Newton, publicado havia vinte anos. Ele próprio não aceitava a teoria da gravitação, que lhe parecia "mera abstração", "um absurdo". A resposta de Swedenborg foi muito ponderada: "Sobre essa matéria", escreveu, "nenhum cidadão inglês deve ser inquirido, pois estaria cego pelo próprio interesse; no entanto, seria criminoso duvidar deles".

Swedenborg se desincumbia prazerosa e eficientemente de todas as missões e tarefas que lhe eram confiadas pelos amigos e ainda inseria informações e sugestões pessoais. Recomendou a compra de obras como Transações Filosóficas da Sociedade Real; a Digesta da Sociedade Real, de John Lowth ou Lowthrop; Léxico das Artes e Ciências, de Harris; Os Anais da Literatura, alguns trabalhos de Sir Isaac Newton e inúmeros outros livros. Menciona, ainda, a publicação da Septuaginta, de Grabe, e de uma ou duas outras obras teológicas; esse é o único indício de seu interesse pela teologia, até então. Para descansar de seus exaustivos estudos científicos, Swedenborg continuava a escrever poesia e se dedicava ao estudo de poetas ingleses. Dentre esses, destacava Dryden, Spencer, Waller, Milton, Cowley, Beaumont e Fletcher, Shakespeare, Ben Johnson, Odham, Benham, Phillip (Ambrose Phillips?), Smith e outros, todos, segundo ele, "eminentes poetas ingleses, dignos de serem lidos, ainda que seja somente por sua imaginação". Para um estrangeiro, Swedenborg tornou-se bastante versado em literatura inglesa.

O jovem Swedenborg passou dois anos em Londres e Oxford, aproveitando, ao máximo, qualquer oportunidade de aprender. Essas suas viagens e estudos lhe foram bastante onerosos e não podia contar com o suporte financeiro do pai. Este, aliás, estava, na época, envolvido com seus próprios negócios e, portanto, com pouco tempo para pensar num estudante solitário e pobre. Como todo bom filho, Emanuel nunca fez disso um cavalo de batalha. Mas, de tempos em tempos, se queixava veladamente dessa situação: "Estou com o orçamento apertado", diz a Benzelius, em carta de abril de 1711, "e não posso comprar nada a crédito". Nove meses depois, escreve: "Eu sempre desejei visitar a Biblioteca Bodleian, desde que conheci a pequena filial na Faculdade Sion; mas tenho de ficar aqui contando tostões. Acho que meu pai não se preocupa muito comigo, pois nos últimos dezesseis meses tenho vivido com menos de 50 libras. Nos últimos quatro meses nenhum dinheiro me chegou às mãos. É duro viver a pão e água, como um pobre diabo em Schonen". E continua: "Sua generosidade e consideração para comigo, de que tenho tido muitas provas, fazem-me acreditar que suas recomendações a meu pai farão que ele volte a me mandar os recursos essenciais para que eu possa continuar os meus estudos. Acredite que é meu desejo ardente trabalhar para honrar sua casa e a casa de meu pai, com força e deliberação ainda maior do que as vossas" (agosto 1712).

Pena que essas cartas sejam tão escassas e esparsas. Muitas, evidentemente, se extraviaram. Em carta escrita de Paris, com data de agosto de 1713, Swedenborg se refere a uma carta que enviou da Holanda, para onde foi depois da Inglaterra, e que nunca foi encontrada. Com efeito, tudo o que se sabe a respeito de sua estada na Holanda está nessa carta escrita de Paris. Nela, diz: "Passei a maior parte de minha estada na Holanda em Utrecht, onde a Dieta se reuniu, e onde contei com a hospitalidade do Embaixador Palmqvist, que me recebeu todos os dias em sua casa para longas discussões sobre álgebra. É um bom matemático e grande algebrista. Não queria que eu viesse embora. Portanto, ano que vem tenciono voltar para Leyden, onde há um esplêndido observatório e o melhor quadrante de latão que já vi e que custou 2.000 florins novos. Estão sempre fazendo novas observações e acho que posso, facilmente, obter da universidade permissão para estagiar durante dois ou três meses. Palmqvist concorda com essa minha idéia".

A documentação sobre a vida de Swedenborg em Paris também é bastante pobre. Sabemos que lá conheceu De Lar Hire, Varrignon, o Abade Bignon (membro da Academia e, mais tarde, bibliotecário real), além de outras personalidades da época, e comenta que: "Há muito plágio e ciúme entre os matemáticos daqui e da Inglaterra. Halley me disse, em Oxford, que foi o primeiro a examinar as variações do pêndulo sobre a linha do equador; aqui todos silenciam a respeito disso. Os astrônomos daqui também afirmam que a teoria de Cassini foi formulada antes de Halley empreender sua viagem à ilha de Santa Helena e outras coisas do gênero".

Swedenborg passou cerca de um ano em Paris e arredores. Deixando Paris, rumou para Hamburgo, via Lille, indo então para Pomerânia, na época província da Suécia. Em uma carta escrita de Rostock, envia ao cunhado uma lista de suas invenções. Sabe-se lá que inventos eram estes e se o jovem inventor idealizou os aparelhos e máquinas modernos com a mesma precisão de suas teorias científicas que permanecem atuais até hoje.

A primeira dessas invenções foi o "projeto de um navio que podia mergulhar com sua tripulação ao fundo do mar e causar grandes danos à armada inimiga". Outro invento era um sistema de comportas para suspender navios cargueiros. Um outro invento foi um sistema de moinhos impulsionados pela ação do fogo sobre a água. Uma metralhadora pneumática capaz de dar de sessenta a setenta tiros, sem recarregar, e uma máquina voadora completavam a galeria de inventos sendo gerados por este jovem inventor. Mais tarde voltou ao projeto da máquina voadora; entretanto, Polhem parece ter arrefecido seu entusiasmo pelo projeto, com o argumento de que "voar por meios artificiais seria tão difícil quanto achar o 'moto perpetuo' ou produzir ouro artificialmente, embora, à primeira vista, isso possa parecer fácil e viável".

Seu método para determinar a longitude da Terra com base na Lua é tido como a mais significativa de suas primeiras descobertas. Embora não tenha sido bem acolhida pelos sábios da época, Swedenborg sempre insistia que seu método era "o único que pode ser enunciado, o mais fácil e, de fato, o correto". Sua confiança nele era tanta, que o republicou, por diversas vezes, entre 1718 e 1766, em latim e sueco. Esse tratado recebeu crítica favorável da Acta Literaria Sueciae, de 1720. O editor afirmava que o tratado de Swedenborg era superior a todos os que tinham sido formulados até àquela data. O Acta Eruditorum, de 1722, publicado em Leipzig, também faz muitos elogios ao trabalho de Swedberg.

Na carta escrita de Rostock, Swedenborg expressa o desejo de voltar à Suécia; todavia, permaneceu na Pomerânia por mais nove meses, passando a maior parte do tempo na pequena cidade universitária de Greifswalde. Os motivos que o fizeram permanecer nessa cidade por tanto tempo não são claros. Pode ter sido a presença do rei de Stralsund e sua esperança de vir a ser convocado para algum mister. Sabe-se, porém, que não fazia bom conceito da universidade e da comunidade acadêmica locais.

Em Greifswalde o jovem Swedenborg editou uma série de fábulas poéticas, em latim, abordando temas políticos da época, sob o título: Camena Borea cum Heroum et Heroidum factis ludens: sive Fabelae Ovidianis similes sub variis nominibus. Ele vinha-se entretendo com esse tema há muito tempo.

As aventuras do jovem Swedenborg estavam chegando ao fim. Pena que grande parte da sua correspondência da época e seu diário estejam extraviados. As poucas cartas que escreveu para Benzelius são muito interessantes. Não somente pelos registros sobre os estudos e realizações do jovem Swedenborg, mas, principalmente, pela revelação de seu caráter. Swedenborg sempre foi considerado carente de afeição e amizade, mas, certamente, teve muita amizade de Benzelius, e era muito apegado à sua irmã Ana; em todas as cartas ele expressa a afeição que tinha por ambos e pelo seu sobrinho, Eric, que ele chamava afetuosamente de "irmãozinho". Bom exemplo disso pode ser encontrado na carta escrita de Rostock, em data de 6 de setembro de 1714, na qual diz: "Desejo muito rever o meu 'irmãozinho Eric'; talvez já saiba fazer um triângulo ou desenhar um, quando eu lhe der uma pequena régua". O "irmãozinho Eric" tinha, então, nove anos. O interesse de Swedenborg por Eric continuou por alguns anos; mais tarde, escreveu: "Soube que seu interesse por desenho e mecânica continua. Se puder se livrar de seu preceptor, gostaria que ficasse sob minha orientação. Proveria sua subsistência e dar-lhe-ia aulas de matemática e outras matérias". Parece que o "irmãozinho Eric" seguiu as pegadas do tio, e em 1726 foi nomeado para o Conselho de Mineração com a simpatia dele. Em 13 de julho de 1725 o pai de Eric escreve a Swedenborg: "Sou-lhe grato pelos favores feitos ao nosso filho Eric aí em Estocolmo; pelas lições de matemática e física e, mais recentemente, por um novo presente". Eric tinha, então, vinte anos de idade.

A estada de Emanuel em Greifswalde foi abreviada pela chegada de inimigos comuns da Suécia em Stralsund, distante umas quinze milhas, onde o rei estava sitiado. Sobre o fato, Swedenborg escreve: "Consegui, por obra da Divina Providência, passagem para casa num iate, em companhia de Madame Feif [presumivelmente mulher do Conselheiro da Guerra] depois de mais de quatro anos no exterior [quase cinco]". O ambiente estava hostil em Stralsund, tornando-se impróprio para senhoras e estudantes.

 

 

Cap. 2 - Estudos científicos e atividades práticas

 

Outro período de espera e desânimo sobreveio após o retorno do jovem Swedenborg à sua terra natal. Cheio de novas idéias e entusiasmo, pensou que alguma carreira estaria certamente esperando por ele. Tinha muitos planos para engrandecer seu país e melhorar sua própria reputação, e não estava absolutamente acomodado; mas seus esforços para promover o progresso da Suécia e melhorar seu nível tecnológico no concerto internacional foram bloqueados de todas as formas por conservadores, homens de negócios, indiferença e falta de recursos, da mesma maneira que as tentativas de reforma eclesiástica e educacional de seu pai tinham fracassado.

Seu primeiro projeto estava relacionado com o novo método para determinar a longitude da Terra. Em carta a Benzelius, datada de 9 de agosto de 1715, diz: "Depois de amanhã, viajarei para o monte Kinnekulle, para escolher o local onde tenciono montar um pequeno observatório de inverno para fazer algumas observações sobre nosso horizonte e lançar as bases das pesquisas que irão comprovar meu método para determinar a longitude dos lugares".

Swedenborg visita o Conselho de Mineração e observa que "os modelos vão se arruinar com o tempo. Dentro de seis ou dez anos esses modelos só vão servir para lenha, a não ser que eu os reforce com uma camada de latão, um pouco de tinta e papel". Dez anos depois, quando passou a fazer parte do Conselho, conseguiu a liberação de uma verba de 50 dalares de prata para o conserto e a conservação dos modelos, demonstrando que seu interesse não era apenas o de crítico eventual.

Depois de sua estada em países mais adiantados, certamente sentiu muito o atraso de seu país. Tinha dois projetos para remediar tal situação: um era a criação de uma "Sociedade do Conhecimento e da Ciência", espécie de Real Sociedade Sueca; e o outro, o estabelecimento de uma cadeira de Mecânica na Universidade de Uppsala. Lutou por esse último projeto por anos, sem nenhum sucesso. Sua primeira sugestão era de que os professores destinassem um sétimo de seus proventos a fim de constituir um fundo de 3.000 dalares de prata para financiar a nova cadeira. Essa proposta, naturalmente, encontrou muita oposição e, tempos depois, o jovem estudante explicou que fora fruto mais de seu entusiasmo que de sua razão. Ainda tinha outra proposta preparada: reduzir o número de cátedras em outras disciplinas, através do não preenchimento das vacâncias. "Isso poderia ser feito facilmente", dizia, "eliminando-se as cátedras menos importantes; por exemplo, oportunamente, poderiam ser eliminadas cátedras de medicina e teologia, e a cadeira de línguas orientais poderia ser incluída no departamento de teologia ou na cadeira de grego; também poderíamos transferir a cadeira de moral para a cátedra de história; especialmente se considerarmos que há poucas universidades com tantas cátedras".

O raciocínio de Swedenborg era sempre prático, seja como cientista, seja como teólogo; não podia entender como alguém podia contentar-se apenas com a teoria. Nessa época, seu cunhado, Benzelius, estava lutando para instalar um observatório em Uppsala, com o apoio entusiasmado de Swedenborg. Outras pessoas, porém, não mostravam o mesmo entusiasmo pelo projeto. Sobre esse fato, Swedenborg escreveu: "Admira-me a atitude de seus amigos matemáticos, que não demonstram vontade de colaborar na construção de um observatório astronômico. É uma fatalidade que matemáticos permaneçam sempre na teoria. Sempre pensei que o mundo sairia ganhando se a cada dez matemáticos se juntasse um homem prático que lhes mostrasse a realidade. Nesse caso, esse homem seria mais conhecido e útil que todos os outros juntos".

Um homem com a disposição de Swedenborg não podia ficar inativo. Enquanto esperava a marcha dos acontecimentos, iniciou a publicação de um jornal técnico-científico intitulado Dædalus Hyperboreus. Aconselhado por Benzelius, dedicou o jornal ao rei Carlos XII que demonstrou muito interesse pela publicação. Primeiro, entretanto, era preciso viabilizar a empresa e pediu a Benzelius para interceder junto a seu pai para obter os recursos. Parecia sempre temeroso de ir diretamente ao pai pedir dinheiro; e, como já estava com vinte e oito anos de idade, seria de se esperar que o bispo pensasse já ser tempo de viver de seus próprios meios. Não obstante, escreve a seu intermediário: "Uma simples palavra sua a meu pai a meu respeito vale mais que vinte mil protestos meus. Você pode informá-lo sobre minha empresa, sem muitos comentários, e dizer-lhe de minha dedicação aos estudos; e que ele não precisa temer que eu vá, no futuro, perder meu tempo ou esbanjar seu dinheiro. Uma palavra de outrem vale mais que vinte palavras minhas. Ele sabe muito de seu interesse em ajudar-me, mas sabe também que eu sou o maior interessado em mim. Por essa razão ele sempre desconfiou mais de mim do que de você, meu querido irmão".

Enquanto isso acontecia, o bispo estava usando toda sua influência junto ao rei e à corte para conseguir um emprego para seu filho. O rei Carlos estava, entretanto, muito ocupado com outros assuntos e só no final de 1716 o jovem Swedenborg foi nomeado "Assessor Extraordinário" (isto é, um "assessor extra", acima do número regulamentar) do Conselho de Mineração, o departamento público responsável pela supervisão de toda a indústria de mineração da Suécia. Sua capacitação para o cargo foi atestada por Polhem, em carta escrita a Benzelius, datada de 10 de dezembro de 1715. Na carta, o célebre inventor diz: "Acho que o jovem Swedenborg é um matemático consumado e tem muita aptidão para as ciências mecânicas; se continuar assim, ele certamente será, oportunamente, de grande valia para os serviços de seu rei e de seu país nesses campos de especialização mais do que em qualquer outro". Em outra carta, Polhem fala sobre outras virtudes de Swedenborg, destacando seu "espírito de iniciativa".

Parece que o rei ofereceu ao jovem Swedenborg três cargos, antes de nomeá-lo para o Conselho de Mineração. Embora Swedenborg não recebesse salário até ser efetivado como Assessor, achou o trabalho compatível com seus objetivos e, dois anos mais tarde, rejeitou convite para assumir a cadeira de astronomia na Universidade de Uppsala, citando os seguintes motivos: "1) Já tenho um cargo honrado; 2) neste cargo posso ser útil ao meu país; com efeito, de forma mais direta do que em qualquer outro cargo; 3) portanto, estou declinando de uma cátedra que não só não é do meu gosto, como meu intento é dedicar-me à mecânica e à química; e nosso Conselho é notório pela deficiência de seus membros nessas disciplinas (confidencia em carta ao cunhado); portanto, vou tentar suprir essa deficiência e espero que meus esforços nesse sentido sejam bem sucedidos".

Havia outras razões para a recusa de Swedenborg. Em carta posterior, escreve: "Espero ser útil no cargo que me foi confiado, como espero também obter as vantagens inerentes; meu cargo atual está apenas a um degrau de um posto superior, enquanto em Uppsala não teria qualquer perspectiva de promoção; ademais, acho que o rei não gostaria de me ver deixar meu cargo atual. Com respeito ao Conselho, vou tentar diligentemente especializar-me em mecânica, física, e química, e familiarizar-me com todos os fatos pertinentes a essas ciências, a fim de calar a boca daqueles que dizem que entrei para o Conselho pela janela".

Durante seus primeiros tempos no Conselho de Mineração foi designado para trabalhar em projetos especiais com seu patrono e amigo, Polhem. O mais importante desses projetos foi relacionado com o cerco de Frederikstad, em 1718, quando duas galeras, cinco barcos de grande calado e uma corveta tiveram de ser transportadas por terra, de Strömstad a Iddefjord, num percurso de 14 milhas inglesas, sob a supervisão de Swedenborg. Outros projetos de vulto foram a construção das docas de Karlskrona e o projeto do canal ligando o Mar do Norte ao Mar Báltico, que não chegou a ser executado, em virtude da morte do rei.

As relações de Swedenborg com Polhem foram sempre muito amistosas. Tão boas, que, por recomendação do rei, Polhem prometeu-lhe a mão de sua filha mais velha. Numa de suas cartas ao cunhado Benzelius, Swedenborg dá a entender que chegou a ficar noivo dela; mas ela veio a se casar com outro. Tinha ela uma irmã mais nova, por quem o jovem Swedenborg se afeiçoou e que, mais tarde, lhe foi formalmente prometida. A moça, ao que parece, nunca fora consultada, tendo sido tudo arranjado à sua revelia; parece, entretanto, que ela não gostava do noivo. Ao se dar conta disso, Swedenborg prontamente renunciou à promessa, demonstrando seu alto espírito de honradez e sensibilidade. O livro de Memórias, de Robsahm, registra que, quando conheceu Swedenborg, Emerentia (este o nome da jovem) tinha treze para quatorze anos, e, portanto não podia ser obrigada a noivar. Diante disso, seu pai, que gostava de Swedenborg, deu-lhe uma escritura pela qual lhe outorgava o direito de esposá-la em data futura. Era sua esperança que, com a idade, ela viesse a aceitar o noivo designado. A noiva foi obrigada a assinar a escritura. No entanto, como ela se queixasse desse penhor quase todos os dias, seu irmão, Chamberlain Gabriel Polhem, aborreceu-se tanto com o negócio que resolveu furtar a escritura de Swedenborg. Este, que se comprazia em afagá-la todos os dias, sentiu imensamente o choque. Sua dor foi tão flagrante que o pai da noiva insistiu em saber o motivo. E imediatamente ofereceu usar sua autoridade para fazer restabelecer a escritura. Mas, ao ver o sofrimento da moça, Swedenborg decidiu renunciar à promessa. E deixou a casa jurando nunca mais voltar a pensar em nenhuma mulher e muito menos voltar a noivar. Swedenborg passou algum tempo sem se comunicar com a família.

Esse fato foi muito penoso para ambos os lados, a julgar por uma carta de Polhem para Benzelius, na qual fala sobre a interrupção de sua correspondência com seu protégé e menciona que três cartas enviadas por ele a Swedenborg foram devolvidas sem terem sido sequer abertas. Nessa carta Polhem escreve: "Peço-lhe encarecidamente que transmita minhas recomendações a Emanuel e lhe peça para que me favoreça com sua amizade, pois aqui em casa todos o amamos como se fosse nosso próprio filho".

Swedenborg estava ainda muito magoado. Tinham-se apagado todas as luzes de seu caminho e tudo parecia irremediavelmente triste. Em carta endereçada a Benzelius, datada de outubro de 1718, diz: "Nenhum dos meus parentes e irmãos demonstrou tanta generosidade comigo quanto você; e tive certeza disso ao ler uma carta escrita por meu irmão a meu pai, a respeito da minha viagem ao exterior. Se eu puder, de qualquer forma, demonstrar-lhe gratidão, fá-lo-ei sempre. O meu cunhado Unge se mete em tudo; com isso, conseguiu intrigar-me com meu pai e minha mãe, durante os últimos quatro anos". Efetivamente, Swedenborg estava se referindo à sua madrasta, pois seu pai tinha-se casado novamente um ano e meio depois da morte da primeira mulher.

A insatisfação de Swedenborg se refletia até em suas atividades científicas. Ficou desencorajado "ao saber que suas descobertas matemáticas eram vistas como novidades que o país não podia tolerar". Em carta a Benzelius, desabafa: "Gostaria de ter muitas novidades literárias - uma para cada dia do ano - para que o mundo se divertisse com elas. São muitos os que plantam em campos de terra cansada, mas poucos se aventuram a plantar idéias baseadas na argumentação e na razão".

Entre as novidades que seus apáticos concidadãos levaram muito tempo para adotar estavam seus planos para a instalação de um observatório astronômico e a instituição de uma cadeira de mecânica, como anteriormente mencionado; um projeto para a produção, em larga escala, de sal na Suécia; um novo tipo de fogão de combustão lenta; um novo método para descobrir veios minerais; um sistema decimal de moeda e medidas etc. Sobre isso, comenta: "Na Suécia, essas teorias e obras levam o autor à fome, pois tais assuntos são considerados mero diletantismo acadêmico pelos políticos cabeçudos. Como tal, são relegados ao segundo plano, ficando em primeiro plano suas idéias supostamente brilhantes e suas conspirações".

Em outra carta, diz: "Parece que o trabalho científico é pouco reconhecido; em parte, devido à falta de recursos que nos impede de ir até onde devíamos, e, em parte, pelo ciúme que despertam aqueles que se dedicam a determinada causa ou ofício. Quando um país se inclina para o barbarismo, é inútil uma ou duas pessoas tentarem mantê-lo de pé".

Ao enviar a Benzelius seu tratado sobre o sistema decimal, Swedenborg volta a se queixar da negligência e desprezo de seus concidadãos pelas ciências. Nessa carta, diz: "Este é o último trabalho científico que vou publicar, por minha conta, pois essa atividade quase me arruinou. Tenho trabalhado sozinho por muito tempo; espero que agora surja alguém que me dê alguma coisa em troca". Desgostoso com o pouco reconhecimento conseguido em seu país, Swedenborg pensa em ir para o exterior e tentar sua sorte como engenheiro de mineração. Desabafando, diz: "Somente um idiota, tendo a liberdade de poder ir para o estrangeiro, optaria por ficar confinado ao frio e às trevas, onde as fúrias, a inveja e Plutão imperam e onde alguém com meus ofícios é recompensado com a miséria. A única coisa que ainda almejo até o dia da partida é encontrar um lugar onde possa ficar isolado do mundo; acho que poderei encontrar esse fim-de-mundo em Starbo ou em Skinberg". Nessas cidades, Swedenborg tinha sociedade em duas empresas de mineração e metalurgia, adquiridas por herança de sua mãe e de sua madrasta.

O jovem Swedenborg, obviamente, não buscava honrarias; ele e seus irmãos tinham sido feitos nobres pela rainha Ulrica Eleonora, seis meses antes de ele escrever a melancólica carta transcrita acima. O título nobiliárquico conferiu-lhe um assento na Casa dos Nobres, uma das quatro casas do parlamento sueco; e, de acordo com a tradição, o nome da família mudou de Swedberg para Swedenborg, nome que passaremos a usar daqui por diante.

Se almejasse honrarias, ter-se-ia contentado com o favoritismo que o rei Carlos XII lhe demonstrava. Constantemente tinha longos colóquios com Sua Majestade, discutindo matemática. O rei dignou-se a ler seu Dædalus e, em várias ocasiões, valeu-se de sua assistência. Em carta escrita de Wenersborg, datada de 14 de setembro de 1718, Swedenborg diz: "Todos os dias conversávamos sobre matemática e Sua Majestade parecia se deleitar com isso. Certa ocasião observamos um eclipse e sobre isso conversamos muito. Tudo isso, no entanto, é um mero começo. Espero ter, oportunamente, o ensejo de fazer alguma coisa em prol das ciências; mas não tenciono desenvolver nenhum projeto específico agora, salvo o estritamente necessário. Sua Majestade me censurou por eu não ter continuado a publicação do Dædalus [que foi suspensa no sexto número], mas aleguei falta de recursos. Ele, porém, não pareceu disposto a ouvir essas desculpas. Espero conseguir alguma ajuda muito breve".

Essas esperanças nunca chegaram a se realizar. O rei estava ocupado com os afazeres da guerra e tudo isso terminou, abruptamente, com a morte dele, durante o cerco de Frederikstad, a 30 de novembro do ano seguinte.

A perda de seu patrono real, seu malfadado caso de amor, a separação da família e a indiferença quase unânime por seus projetos e teorias poderiam ter levado Swedenborg a um estado de melancolia. Entretanto, não foi morar no estrangeiro, como havia cogitado. No verão de 1721, iniciou uma longa viagem pelo exterior, com o objetivo de estudar as minas e manufaturas de outros países, a fim de poder servir melhor seu país no cargo que ocupava.

Seu plano original era visitar a Holanda, Inglaterra, França, Itália, Hungria e Alemanha; a viagem ficou, porém, virtualmente, restrita à Holanda e aos Estados Germânicos. Visitou todas as minas da Saxônia e das montanhas Hartz e foi regiamente recepcionado pelo Duque Ludwig Rudolf von Brunswick-Lüneburg, que, não só pagou todas as suas despesas, como o agraciou com uma medalha de ouro e lhe ofertou um bule de café, de prata, além de outras honrarias.

Durante essa viagem, publicou vários de seus tratados e teorias. Em Amsterdam, publicou a obra intitulada Prodromus Principiorum Rerum Naturalium, um tratado sobre química e física; Nova Observata et Inventa circa Ferrum et Ignem; Artificia Nova Mechanica Receptacula Navalia et Aggeres Aquaticos Construendi, um trabalho sobre construção de docas e diques; e uma segunda edição de seu Novo Método para Determinar a Longitude. Em Leipzig, publicou o livro Miscellanea Observata Circa Res Naturales, contendo grande parte de suas investigações sobre mineralogia, geologia etc. O fato de Swedenborg ter sido obrigado a publicar a maioria de seus trabalhos no exterior ilustra bem o atraso reinante na Suécia; em parte, por causa do custo e por melhor qualidade tipográfica, e, em parte, para escapar do Censor de Imprensa cuja opinião era, necessariamente, tacanha. Quando publicou seu tratado Regras de Álgebra [o primeiro na língua sueca] indagou a seu cunhado se havia alguém em Uppsala com conhecimento bastante para fazer a revisão do manuscrito.

Em julho de 1722, Swedenborg estava de novo em casa, cheio de novos projetos para melhorar as perspectivas materiais de sua terra natal; como de costume, esses projetos despertaram pouco entusiasmo e a firme oposição de interesses contrários, conservadores ociosos e políticos invejosos. Entre esses se destacava Urban Hjarne, Vice-Presidente do Conselho de Mineração, que tinha uma velha rixa com o pai de Swedenborg e não perdia oportunidade de descarregar seu rancor sobre o filho.

Ao término de sua viagem de estudos, Swedenborg submeteu ao Conselho e, diretamente, ao próprio rei Frederico, propostas para o incremento da produção do cobre, melhorias na fabricação do aço e para estimular a fabricação de ferro, "já que os interesses dos produtores de cobre eram favorecidos em detrimento dos interesses dos fabricantes de ferro". Nessas e em outras áreas, tinha opiniões bastante liberais, como demonstra sua opinião sobre segredos industriais. Referindo-se às dificuldades que encontrara para obter informações do exterior, escreveu: "É minha convicção que não deva haver segredos industriais na metalurgia; pois sem esses conhecimentos, é impossível investigar a natureza".

A 15 de julho de 1724, Swedenborg, então com 36 anos de idade, foi nomeado assessor titular do Conselho de Mineração, com um salário anual de 800 dalares de prata. Somente em 1730 começou a receber o salário integral de 1.200 dalares de prata. Os arquivos do Conselho mostram que ele era muito cioso de suas obrigações e seu trabalho era muito elogiado pelos colegas. Mas suas atividades iam muito além das funções de seu cargo. Estava constantemente recolhendo informações para futuras publicações e, no começo de 1733, tinha, prontos para impressão, vários trabalhos científicos e filosóficos. Pediu licença de nove meses para tratar pessoalmente da publicação desses trabalhos em Dresden e Leipzig. A licença foi concedida por decreto real.

Os trabalhos em questão eram: Opera Philosophica et Mineralia, em três volumes, com gravuras em cobre, e Prodromus Philosophiae Ratiocinantis de Infinito etc., sobre os quais falaremos em um dos capítulos seguintes. Os custos da edição da primeira obra, certamente bastante vultosos, foram cobertos pelo antigo patrono de Swedenborg, o Duque de Brunswick-Lüneburg. A obra foi muito bem recebida e excertos da segunda parte, versando sobre manufatura de aço e ferro, foram publicados em separado e até traduzidos para o francês ainda durante a vida de seu autor.

A publicação desses trabalhos deu a Swedenborg grande reputação na Europa, ensejando-lhe constante correspondência com os mais eminentes cientistas e filósofos da época. Em 1734, a Academia de Ciências de São Petersburgo o convidou para membro correspondente e foi um dos primeiros membros eleitos para a Academia Real de Ciências de seu país.

Swedenborg nos deixou relato minucioso de todas as viagens que fez na época; um verdadeiro diário, com muitos tópicos interessantes que corroboram o que dele disse o Conselheiro Sandels: "Nada do que pudesse merecer a atenção de um viajante lhe escapou".

"Seria muito prolixo", diz Swedenborg, "nomear todos os eruditos que conheci durante essas viagens, pois nunca perdi a oportunidade de conhecê-los nem de visitar e examinar bibliotecas, galerias de artes, museus e outras entidades de interesse".

Suas observações variam das fortificações de uma cidade ao método de construção das cercas em Schonen. Aonde quer que fosse, visitava bibliotecas, museus, galerias de arte, igrejas, mosteiros, sanatórios, teatros e, especialmente, fábricas. Em seu diário há notas sobre mineração, alto-fornos, produtos de vitriol, arsênico e enxofre, arquitetura naval, fábricas de cobre e latão, fábricas de papel, chapas de vidro e espelhos, e ainda sobre anatomia, astronomia, magnetismo, hidrostática, literatura e sobre a condição social das pessoas ao seu redor.

Seu convívio com o rei Carlos XII ensinou-lhe o quanto a cultura e a ciência sofrem sob um regime militar. Portanto, as condições da Biblioteca Real em Berlim não chegaram a surpreendê-lo. Os livros, comenta, "são quase todos muito velhos; e não há recursos para novas aquisições". Também menciona que a maior parte dos livros da Biblioteca Ambrosiana de Milão, da Biblioteca do Vaticano e da Biblioteca de San Lorenzo, em Florença, é, também, muito antiga, embora por outros motivos.

Swedenborg era essencialmente homem moderno, cuja natureza era sempre olhar para o futuro, ao invés de voltar-se para o passado. Assim, nunca teria sido um bom antiquário. Inspirou-se no amor às ciências e ao progresso e estava sempre ansioso para conhecer os últimos inventos. Portanto, nunca teve muito interesse em breviários, missais, livros raros e coisas do gênero. Da Biblioteca Ambrosiana, disse: "Tem pouca importância, pois só tem livros velhos". No entanto, fazia uma única exceção: os Códices Bíblicos, que lia com muito interesse.

Estava sempre muito atento aos assuntos religiosos, visitando igrejas católicas e protestantes, ortodoxas e não-ortodoxas, conversando com padres, monges e leigos, e vendo com generosidade todos os aspectos do instinto religioso. Sempre comentava o ritual romano, ao mesmo tempo que assinalava seu caráter emocional. O pai de Swedenborg tinha sido acusado de "devoção exagerada"; ele mesmo estava sempre alerta contra qualquer forma de coerção religiosa. "A cidade de Copenhague", comenta, "está infectada de carolismo ou quakerismo e, no seu fanatismo, chegam a acreditar que é correto suicidar-se ou matar pelo prazer de Deus; muitos casos desses estão registrados nos arquivos".

Em muitos pontos Swedenborg mostrou ter uma mente muito mais aberta que a de seu pai. Este não tinha muita simpatia pelo teatro e, certa ocasião, se queixou ao Rei pelo fato de gastar-se tanto dinheiro com atores e atrizes, em lugar de se destinar esses recursos para a restauração de sua catedral destruída. Swedenborg, ao contrário, sempre ia ao teatro e à ópera e gostava de criticar os espetáculos in loco. Chegou mesmo a assinalar que os melhores arlequins vinham de Bérgamo. Entretanto, não era, absolutamente, um homem mundano; aonde quer que fosse, sempre tinha a humanidade por objetivo. De certa forma, o teatro e a igreja eram para ele objetos de estudo.

Note-se, também, que Swedenborg não foi um connoisseur de arte. Seus comentários sobre pintura e escultura demonstram surpreendente ignorância dos grandes artistas e total desconhecimento da verdadeira arte. Essa ignorância era compartilhada com seus contemporâneos; ou, com efeito, provinha deles, pois suas críticas se baseavam nas leituras e o gosto da época era bem discutível.

Swedenborg era um homem de seu tempo, também porque tinha pouco interesse na natureza. Ele nos fala dos tesouros escondidos das montanhas, não da majestade e beleza dessas mesmas montanhas. Descreve suas viagens por rios e pelo mar sem nunca fazer referência à dança das ondas e às luzes mutantes que dão ao mar uma diversidade única. Tampouco se referiu aos ventos que dão aos rios uma beleza mutável. Salienta a construção esmerada das cercas, mas não vê as flores do campo que elas cercam; é atingido por "um extraordinário raio de luz" em Livorno, mas não dá a mínima atenção ao pôr do Sol. Seu pensamento estava sempre voltado para a natureza e estrutura das coisas, ao invés de sua aparência; deslumbrava-se com as maravilhas da criação e as reverenciava, mas seu senso de estética estava como adormecido ou atrofiado. Nessa época Swedenborg era, basicamente, um homem voltado para as coisas práticas e as ciências, embora novas faculdades se estivessem desenvolvendo em seu íntimo.

 

 

Cap. 3 - Swedenborg, o filósofo

 

Durante o período intermediário de sua vida, a partir do retorno à Suécia, em 1734, Swedenborg esteve intensamente dedicado à investigação filosófica: seu trabalho era baseado em seus extraordinários conhecimentos de ciência natural. J. Morell, na obra O Pensamento Filosófico na Europa no Século XIX, comenta assim o pensamento filosófico de Swedenborg: "Às pessoas que tenham apenas ouvido vagos rumores de sua filosofia, Swedenborg parece basear seu pensamento filosófico num conjunto de fatos bem mais vastos do que o próprio pai da ciência experimental jamais concebeu" (vol. i, pág. 317). Suas investigações iam da estrutura da matéria ao sítio da alma no corpo humano; e seus estudos abrangeram matemática, física, mecânica, astronomia, metalurgia, química, geologia, magnetismo e anatomia. E esses conhecimentos não eram apenas superficiais; na maioria dessas disciplinas ele reuniu tanto conhecimento quanto havia em sua época. Suas investigações eram ousadas e profundas. Em sua obra Principia, primeira parte da obra Opera Philosophica et Mineralia, referida no capítulo anterior, formula uma teoria elaborada da origem das coisas e expõe a hipótese da nebulosa muitos anos antes de Kant, Herschel e Laplace.

Nas obras que comentaremos a seguir, Swedenborg levou suas investigações filosóficas aos mais elevados temas, e intentou desvendar os mistérios da alma humana e sua relação com seu instrumento, o corpo, ao mesmo tempo em que tratou de outros assuntos com igual profundidade.

A esse período pertencem três obras: Æconomia Regni Animalis, Regnum Animale e De Cultu et Amore Dei. O termo "regnum animale", usado nos primeiros dois títulos, é, de certo modo, ambíguo; em latim quer dizer "o reino da alma". Antes de analisarmos o conteúdo dessas obras, iremos reconstituir as viagens que Swedenborg empreendeu para coligir material e publicá-las, a partir dos diários existentes, um pouco resumidos, mas muito interessantes.

Em 10 de julho de 1736, Swedenborg deixa Estocolmo com destino a Copenhague, via Norkoping e Helsingborg. Permanece algum tempo em Copenhague e lá se relaciona com figuras eminentes; alguns conheciam seus trabalhos e o lisonjearam muito com elogios. Ali e alhures visitou muitos pontos de interesse, como a doca de querena, então sendo construída em Copenhague, trabalhos de porcelana em Hamburgo etc. Embora estivesse preparando-se para explorar os limites da mente humana, Swedenborg manteve o interesse nas coisas práticas da vida, como, efetivamente, o fez até o fim de sua carreira.

Nota importante anuncia que Swedenborg começara a estudar a obra filosófica de Christian Wolf; e registra com muita satisfação que o autor parece fazer menção dele em um de seus trabalhos. Havia conhecido Wolf pouco antes e os dois filósofos se correspondiam de vez em quando.

No diário de viagem de Swedenborg há um dado curioso sobre a cidade de Osnabrück, cidade com três igrejas católicas romanas e duas igrejas evangélicas, e que alternava bispos católicos e evangélicos, um acordo que para muitos poderia parecer impossível.

Em Amsterdam, impressionou-se com a ganância: "A cidade inteira só aspira ao lucro". Em seguida, faz conjecturas sobre as causas da formidável prosperidade dos holandeses. Durante sua visita a Rotterdam, poucos dias depois disso, registrou em seus diários alguns comentários sobre a Holanda. "Meditei muito sobre os motivos que levaram nosso Senhor a aquinhoar um povo tão avarento e inculto com um país tão extraordinário; por que os teria preservado de todos os infortúnios; por que teria feito com que eles ultrapassassem todas as outras nações no comércio e nos empreendimentos, e transformado seu país no lugar para onde fluem todas as riquezas da Europa e de outros lugares. A principal razão, suponho, está no fato de o Senhor preferir a República à Monarquia; como foi o caso de Roma. Na República ninguém se sente obrigado a venerar outro ser humano e trata igualmente a todos como se fossem reis e imperadores. Essa faceta de patriotismo e disposição de vida é flagrante no povo da Holanda. O único objeto de sua veneração é o Senhor; não crêem na carne; e quando somente o Maior é reverenciado como tal, e nenhum ser humano toma o lugar d'Ele, o Senhor Se compraz. Ademais, cada um exerce sua vontade livremente e daí cresce sua adoração a Deus; pois cada um é seu próprio rei e governante, sob a égide do Maior. Dessa premissa se intui que eles não perdem sua coragem e seu pensamento racional independente por medo, timidez e excesso de cuidado. No pleno gozo de sua liberdade e sem condicionamentos maiores, são capazes de restaurar suas almas e elevá-las em honra do Maior que não deseja dividir essa honraria com ninguém. Em todos os casos, as mentes subjugadas a um poder soberano se criam na lisonja e na falsidade. Aprendem a falar diferentemente do que sentem; e quando isso se torna hábito, vira uma segunda natureza; assim, mesmo quando adoram a Deus, essas pessoas falam diferente do que pensam e estendem seus louvores ao próprio Senhor, certamente desgostando-O profundamente. Esta deve ser a razão pela qual essa nação foi tão abençoada. Sua adoração ao demônio da cobiça, sua busca incessante do dinheiro, não parece compatível com tantas bênçãos. Entretanto, pode haver dez entre mil ou entre dez mil que livrem os outros do castigo e dividam com eles os frutos das bênçãos temporais".

Palavras extraordinárias para quem gozou do convívio de vários monarcas e a quem "Suas Majestades em Carlsberg" tinham recebido com tantas gentilezas, fazia apenas umas semanas; cujo pai, ademais, tinha sido um ferrenho defensor do "direito divino"; contudo, Swedenborg sempre formava seu próprio juízo e não tinha medo de exprimir suas opiniões.

De Rotterdam, Swedenborg seguiu para Dort e Antuérpia. De lá, foi de barca até Bruxelas, numa viagem que o deixou exultante. "Foi uma viagem bela e maravilhosa. Durante todo o percurso, estávamos cercados de plantações por todos os lados; as pessoas eram mais civilizadas, acentuando, ainda mais, a grosseria e rispidez dos holandeses. A viagem foi, certamente, muito agradável, pois a barca tinha 40 pés de comprimento e seis pés de largura, com cinco cômodos (cozinha, cabine, e outros compartimentos); no convés da frente havia um toldo sob o qual as pessoas podiam se sentar".

Entre seus companheiros de viagem havia dois monges, um dos quais "permaneceu na mesma posição durante quatro horas, orando". Swedenborg viu essa demonstração de excessiva devoção, com sua costumeira generosidade: "Essas orações certamente agradarão a Deus, pois emanam de um coração puro e honesto e são oferecidas com devoção e não com o espírito dos fariseus".

Embora estivesse sempre pronto a ver o bem em todas as pessoas e igrejas, Swedenborg não fechava os olhos para as mazelas que encontrava em suas observações. Elogiou em várias ocasiões o espírito de devoção reinante nas igrejas católicas romanas. Entretanto, não deixou de criticar o contraste entre a opulência da Igreja e a miséria do povo. "Em todos os lugares", diz durante sua estada na França, "os conventos, igrejas e monges são ricos e são os senhores de quase toda a terra. Os monges são gorduchos, opulentos e prósperos; a maioria deles leva uma vida de ócio; tentam subjugar a todos, e exigem tudo dos pobres, dando-lhes em troca somente palavras e bênçãos. Para que servem esses frades franciscanos? Outros, no entanto, são esbeltos, magros, elegantes; preferem caminhar a andar montados a cavalo ou em charretes; estão sempre prontos a dialogar com os outros; são sagazes e generosos". "Péronne", conta-nos, "tem muitas igrejas imponentes, mas as casas são miseráveis; os conventos são majestosos, a gente pobre e miserável". "Roye também é uma cidade miserável".

Em outro trecho de seu diário, explica as causas da pobreza e fornece alguns dados estatísticos das ordens eclesiásticas: "Entendo que a grande renda da França, obtida através do sistema de tributação denominado 'dízimo', monta a 32 milhões de livres ou quase 192 toneladas de ouro, e que Paris, com seus aluguéis, contribui com quase dois terços dessa arrecadação. Dizem que as cidades do interior não arrecadam esse imposto corretamente, pois os aluguéis são declarados abaixo do seu valor real, não chegando a arrecadação a atingir 3% do real. Eu também soube que as ordens eclesiásticas possuem um quinto de todas as propriedades existentes no país, e que o país estará arruinado se essa situação perdurar por muito tempo".

"Na França há 14.777 conventos e 300.000 a 400.000 membros de ordens religiosas que possuem 9.000 palácios ou mansões, 1.356 abades, 567 abadessas, 13.000 prioresas, 15.000 capelães, 140.000 pastores e párocos, 18 arcebispos e 112 bispos; 776 abades e 280 abadessas são nomeados pelo rei. Há, também, 16 superiores de ordens".

Apesar de todo esse aparato, a religião não parece ter tido muita influência nos negócios públicos ou privados. Ao enumerar os vários departamentos de Estado, Swedenborg assinala que o Conde de Maurepas, Secretário de Estado, "se ocupa de todos os assuntos internos e externos, exceto os que concernem à guerra; o Conde de Florentin se encarrega dos assuntos religiosos, que são muito escassos". Temos uma boa idéia da teologia em voga na época lendo este registro do diário de Swedenborg, datado de 17 de outubro de 1736: "Estive na Sorbonne e ouvi os debates teológicos que aconteciam com regularidade; as discussões consistiam de silogismos". Swedenborg visitou muitas igrejas e mosteiros; ouviu a pregação do capelão real, que "gesticulava como se fosse um ator"; entretanto sua pregação era de alto nível; discutiu a adoração dos santos com um abade, visitou hospitais, compareceu à sessão inaugural do Parlamento e não perdia oportunidade de estudar a vida e a religião das pessoas. Ia freqüentemente ao teatro e à ópera, criticava os espetáculos e mencionava os atores e atrizes participantes.

Além de toda essa atividade, tinha sua mente sempre voltada para seus novos trabalhos. Passeando em frente ao Hotel de La Duchesse, em Paris, conjectura sobre a forma das partículas da atmosfera. No dia 6 de setembro, escreve: "Terminei a primeira versão do texto de introdução às Transações que diz: 'a alma da sabedoria é o conhecimento e aceitação do Ser Supremo'". No dia seguinte: "Ocupei-me em examinar a premissa de que agora é a ocasião de se examinar a natureza em função de seus efeitos". Ele está se referindo a uma passagem da introdução à sua obra Æconomia Regni Animalis, na qual, após referir-se ao formidável volume de conhecimentos científicos à espera de uma teoria que os possa compatibilizar e explicar, diz:

Chegou a hora de deixar o cais e navegar mar adentro. Os materiais estão prontos; por que não construirmos o edifício? A colheita nos espera; por que não empunhamos a foice? Os legumes da horta são abundantes e estão maduros; será que devemos deixar que se estraguem? Deleitemo-nos com o banquete que nos foi servido; extrairemos das riquezas que nos são legadas, a sabedoria. Mas atentai bem, pois tratar desse assunto é como navegar mar aberto pelos quatro cantos do mundo. É fácil lançar-se ao mar aberto ou dar a partida num tropel de cavalos, mas chegar a um objetivo é tarefa para Hércules. Entretanto, estamos prontos a enfrentar o abismo, embora devamos proceder como filhotes de passarinhos, com suas asas frágeis, procurando dosar as forças e sentir o ar, o novo mundo que os espera.

O objetivo de que Swedenborg falava confiante e exultantemente era, nada mais, nada menos do que a descoberta da alma, como explica no seguinte trecho da introdução à sua obra Regnum Animale:

É meu intento examinar, física e filosoficamente, a anatomia total do corpo; o objetivo do trabalho é o conhecimento da alma, pois esse conhecimento será a coroação de todos os meus estudos. Portanto, para prosseguir nas minhas investigações e resolver os problemas pertinentes, decidi utilizar o método analítico; acho que sou o primeiro a usar declaradamente esse método. Para atingir esse formidável objetivo, é meu intento pesquisar integralmente o microcosmo que é a alma; pois seria vão procurá-la em outro lugar que não no seu reino. Estou determinado a não me dar tréguas, até que tenha alcançado meu objetivo, até que tenha atravessado o reino universal animal e chegado à alma. Portanto, espero que através dessa contínua introspecção, eu possa abrir todas as portas que me levarão a ela e, então, contemplar a própria alma, com a permissão Divina.

Sua viagem para o exterior teve o objetivo de obter conhecimentos sólidos de anatomia. Na Holanda, na França e na Itália, realizou exaustivos estudos, lendo todas as obras notáveis sobre o assunto, comparecendo a todas as conferências e demonstrações e, freqüentemente, usando, ele próprio, o escalpelo. Contudo, preferia aceitar os ensinamentos dos grandes anatomistas e basear suas teorias em seus postulados, pelas razões que explica na introdução à obra Æconomia Regni Animalis:

O nosso conhecimento experimental de anatomia advém de homens de grande cultura e sabedoria, tais como Eustachius, Malpighi, Ruysch, Leeuwehoek, Harvey, Morgagni, Ieussens, Lancisi, Winslow, Ridley, Boerhaave, Wepfer, Heister, Steno, Valsalva, Duverney, Nuck, Bartholm, Bidloo e Verheyen, cujas descobertas, ao contrário de meras falácias e especulações infundadas, serão utilizadas e cultuadas na posteridade.

Utilizando os escritos e estudos desses homens ilustres e amparado em sua autoridade, estou decidido a iniciar e completar meu projeto de desvendar as coisas que a Natureza supostamente mantém na obscuridade. Aqui e ali, tomei a liberdade de inserir os resultados de minhas próprias experiências, mas somente de forma esparsa, pois achei que seria melhor utilizar o conhecimento de outros. De fato, parece que há pessoas que nasceram com um grande poder de observação, como se possuíssem naturalmente um maior discernimento; é o caso de Eustachius, Ruysch, Leeuwenhoek, Lancisi etc.. Por outro lado, há outros que possuem um dom natural de analisar os fatos já descobertos buscando explicar suas causas. Ambos são dons muito peculiares e, raramente, encontrados numa mesma pessoa. Além disso, quando estava pesquisando sobre os segredos do corpo humano, notei que toda vez que descobria alguma coisa nova, eu (talvez seduzido pelo ego) ignorava as pesquisas e teorias dos outros, para embarcar numa série de especulações baseadas somente em minha descoberta, ficando, portanto, incapacitado de enxergar e compreender adequadamente a idéia de 'universais nos individuais' e de 'individuais sob os universais'. Portanto, resolvi pôr minhas ferramentas de lado, reprimir meu instinto de observador, e basear meus estudos nas teorias dos outros.

Depois dessa digressão, voltemos ao diário de viagem de Swedenborg. Saiu de Paris às três horas de uma manhã de março de 1738, viajando de diligência e barca, que aqui chamam de "diligência aquática", até Lyon, observando atentamente tudo o que via pelo caminho. Dez dias depois, partiu para Turim, via Mont Cenis, uma viagem estafante naquela época do ano. "Tivemos que suportar muito cansaço", escreve em seu diário, "e enfrentar o risco de perdermos a vida nas tempestades de neve, a exemplo do que ocorreu ontem à noite, quando a neve era tão profunda que tivemos de abandonar nossas montarias e seguir a pé. Felizmente nosso grupo consistia de doze pessoas, além de seis frades da ordem dos carmelitas e contamos com a assistência de cinqüenta a sessenta operários que abriram o caminho para nós". Não havia, naquela época, o túnel de Mont Cenis...

Swedenborg enfrentou outros riscos durante sua viagem pela Itália. No trajeto de Turim a Milão, foi abandonado por seu guia e obrigado a empreender a viagem em companhia de um malfeitor. Seu companheiro de viagem, empunhando um estilete, o ameaçava e, certamente, o teria usado caso resolvesse roubar Swedenborg. Durante uma viagem marítima, de Livorno a Gênova, Swedenborg teve novamente sua vida ameaçada por piratas argelinos.

Na páscoa de 1738, Swedenborg estava em Turim, tendo assistido às procissões de quinta e sexta-feira santas. Na quinta-feira, escreveu: "Assisti às magníficas procissões, num total de nove. Ao todo houve de vinte a trinta procissões. Delas participavam um grande número de carregadores de castiçais; alguns se auto-flagelavam e o sangue escorria por seus corpos; outros carregavam uma cruz pesada sobre os ombros e ainda outros ostentavam o símbolo da crucificação; por último, vinha um andor repleto de velas, com a imagem de Jesus Cristo e Maria. Na sexta-feira santa houve outra grande procissão, com um andor contendo a imagem do Cristo envolto no sudário, a cabeça de João Batista e a imagem de Maria com uma espada fincada no coração".

Swedenborg viu muitos desses sinais da religião cristã, mas a moral cristã não era tão aparente entre o povo. Em Milão, visitou a Ospedale Maggiore, "um dos maiores e melhores hospitais da época". "Os serviços hospitalares", diz, "eram desempenhados por bastardos; há muitas crianças abandonadas recolhidas em gavetões. Há áreas especiais reservadas para os feridos, pois há um grande número destes, devido às inumeráveis tentativas de homicídio". Falou muito bem da organização do hospital.

Swedenborg também visitou os principais mosteiros da região. Um, pertencente à ordem dos ambrosianos, era esplendidamente decorado com pinturas; uma dessas, existente no salão de cima, pode ser considerada verdadeira obra-prima: "A uma distância de doze ou quinze passos, tem-se a impressão de que a pintura salta da parede". Swedenborg achava que o realismo era a forma mais sublime da arte. "No jardim, destaca-se uma figueira onde se diz que Santo Agostinho foi convertido há 1400 anos. Cada um dos patriarcas tinha um valet de chambre, como era costume entre os membros da aristocracia". No grandioso convento para moças, que visitou, conta: "Conversei com duas freiras; assisti à sua procissão e lhes ofertei flores".

Partindo de Milão, Swedenborg se juntou a cinco frades carmelitas que iam visitar Veneza, a caminho de Roma. Eles mal podiam acompanhar todas as atividades de Swedenborg, pois em Verona, a exemplo, de outros lugares, foi à ópera. Descreveu com entusiasmo tudo o que viu: "Um novo teatro foi construído, com cento e quarenta camarotes. As mudanças de cenários e a cenografia em geral, assim como a música e o canto, são tão superiores à ópera francesa, que fazem esta parecer uma peça infantil".

Dos edifícios públicos, Swedenborg parecia preferir as construções modernas em lugar das antigas; faz várias referências ao material com que foram construídas, mas mostra pouca admiração pelas linhas arquitetônicas. Assim, em Pisa, faz o seguinte comentário: "O mármore é abundantemente exibido em capelas, igrejas e algumas residências particulares. A parte externa da catedral é toda de mármore; na parte de dentro há magníficas pinturas, esculturas e esplêndidos ornamentos". Descreve, em detalhe, a cúpula de mármore da catedral de Florença que custou dezoito milhões de francos. "Próximo à catedral está a igreja de São João Batista, com esculturas de mármore e estatuária de bronze". Swedenborg trouxe para a arquitetura os olhos de geólogo em lugar da visão de um connoisseur. "Em Pádua", diz, "a prefeitura e todos os edifícios públicos são antiquados; já as modernas igrejas de Vicenza são muito admiradas por sua arquitetura". O escultor preferido de Swedenborg parece ter sido Bernini. E pareceu ignorar até os homens mais célebres. Ficou encantado com os afrescos da igreja de "Santa Cruz", em Florença, "porque eram tão reais que pareciam terem sido pintados em alto relevo".

Gostaríamos novamente de assinalar a aparente insensibilidade de Swedenborg pela grandeza e majestade das paisagens naturais. Em sua viagem de Florença a Livorno, nota que a estrada era boa, mas ladeada de montanhas! Todavia, Swedenborg não tinha falta de imaginação, como atestam os trabalhos que escreveu nesse período; sua imaginação, porém, era inspirada nos seus conhecimentos das ciências naturais e da literatura clássica, ao invés de meras impressões de paisagens da natureza.

Se "o estudo da humanidade tem por objetivo o homem", Swedenborg certamente fez a sua parte. Enquanto investigava a economia interna do arcabouço humano, observou atentamente a vida do "ser político" e nos deixou muitos escritos sobre assuntos sócio-políticos e religiosos. Em Florença, assistiu à consagração de sete freiras: "Elas estavam vestidas de branco da cabeça aos pés. A cerimônia foi celebrada por um arcebispo, que trocou sua mitra cinco vezes; inquiriu a todas e elas responderam-lhe com cadência musical; depois se deitaram no chão, sob um manto negro, durante muito tempo. No final da cerimônia receberam anéis, coroas e outros objetos, participaram do resto da solenidade e saíram em procissão exibindo suas cabeças coroadas. À solenidade estavam presentes muitas moças, trajando vestidos de noiva, e ouvia-se música clássica". Dois dias depois (em 9 de setembro de 1738) Swedenborg escreve: "Testemunhei, pela terceira vez num convento, a sagração de freiras; as cerimônias diferem". Ele nos fala sobre um famoso mosteiro em Roma: "Seus membros são chamados de 'hyerosolymi'; doze deles permanecem confinados o ano todo; recebem sua alimentação através de uma portinhola; um dia, durante todo o ano, eles saem de sua cela; os outros passam o tempo andando de charrete".

Swedenborg descreve relíquias e outros tesouros sacros existentes nas igrejas de modo objetivo, sem nunca questionar sua autenticidade ou valor como instrumentos de devoção. Assim, visitando a igreja de São João de Latrão, escreve: "Há muitas relíquias perto do altar, entre as quais destacam-se as cabeças de Pedro e Paulo, entronizadas num rico tabernáculo. Há, também, uma famosa coluna de metal incrustada de pedras do sepulcro de Cristo". Em Roma visitou também o cárcere de São Pedro e São Paulo: "A porta através da qual contam que São Paulo foi libertado por um anjo; o pilar de pedras em que foi amarrado; a fresta pela qual recebia comida etc.". A oportunidade de visitar todos esses lugares em Roma foi proporcionada a Swedenborg por influência de seu conterrâneo, o Conde Nils Bjelke, camareiro do Papa e senador de Roma. Quando, no fim da vida, escreveu sobre a Igreja Católica Romana, Swedenborg não se baseou em histórias de terceiros.

Swedenborg não estava interessado somente em assuntos eclesiásticos. Em Livorno, visitou a cadeia e em Veneza participou da expedição que acompanha o Dodge na cerimônia anual do "casamento do Adriático".

O diário de sua viagem termina, abruptamente, em 17 de março de 1739; porém, por outras fontes, sabemos que retornou a Paris em meados de maio. Sobre suas atividades até 3 de novembro de 1740, data em que reassume suas funções no Conselho de Mineração, sabe-se muito pouco; foi nesse período que publicou sua obra Æconomia Regni Animalis, em Amsterdam.

No início do ano de 1743, Swedenborg novamente dirige ao rei requerimento de licença para viajar ao exterior, onde iria lançar um novo trabalho. Seu pedido foi muito bem acolhido, mas uma questão de ordem fez que o requerimento fosse, primeiramente, submetido à apreciação do Conselho de Mineração. Assim sendo, a 17 de junho, Swedenborg envia carta ao conselho-executivo, cujo teor é particularmente importante para nós, como prova de que, na ocasião, não tinha nenhuma idéia de sua futura missão, nenhuma intenção de se dedicar à teologia, e que os atrativos da vida terrena ainda o seduziam. "Posso lhes afirmar", escreve, "que eu preferia mil vezes permanecer em minha casa, no meu país natal, onde tenho o prazer de servir nesse egrégio Conselho e de contribuir para o bem-estar social; a oportunidade de melhorar minha condição e zelar pelo pequeno patrimônio que amealhei e, finalmente, usufruir da vida no meu próprio lar, cuja continuidade, com a graça e ajuda de Deus, nada irá deter, do que viajar para o exterior às minhas próprias expensas, sujeito a perigos e vexames, especialmente nesses tempos agitados, enfrentando toda sorte de dificuldades e, no fim, recebendo mais críticas desfavoráveis que favoráveis. Mas, apesar de tudo isso, estou imbuído de um desejo interior de produzir, durante meu tempo de vida, alguma coisa concreta que possa ser útil à comunidade científica e também à posteridade, como também ser benéfica e aceita em minha terra natal; e, se meu intento for concretizado, que o seja com honradez. É meu desejo primordial terminar essa obra e retornar ao meu país, ao meu lar, ao meu povo, para continuar, com paz e tranqüilidade, a trabalhar na minha obra Regnum Minerale e, assim, contribuir para o bem público nos assuntos que competem ao Conselho Real".

Aparentemente a obra intitulada Regnum Minerale era o trabalho que tencionava iniciar depois de terminar o livro Regnum Animale, o motivo principal dessa nova viagem ao exterior. Entretanto, parece que esse intento se frustrou, pois não há nenhum registro sobre isso em seu diário.

Swedenborg iniciou sua viagem em junho de 1743; seu diário, entretanto, não vai além de 20 de agosto e não contém nenhuma informação particularmente interessante. Nessa viagem, encontrou-se com muitas personalidades e, em Hamburgo, foi apresentado ao Príncipe Augustus e ao Príncipe Adolphus Frederic, recém-eleito herdeiro do trono sueco. O príncipe Adolphus leu, com muito gosto, o manuscrito do novo livro de Swedenborg e as críticas sobre seu penúltimo livro. Nos lugares onde esteve, Swedenborg visitou igrejas, fortificações, obras hidráulicas, edifícios públicos etc., como de hábito. O ponto alto dessa viagem, que provocou uma mudança inesperada em sua vida, será um dos tópicos focalizados no capítulo seguinte.

As duas primeiras partes de sua obra Regnum Animale - cuja elaboração englobava dezessete partes distintas - foi publicada na Haia, em 1744. A terceira parte foi publicada em Londres, em 1745; um volumoso acervo de informações coligidas e editadas não chegou a ser publicado. Examinaremos mais detalhadamente, nos próximos capítulos, esse acervo, bem como as duas obras acima mencionadas.

Fim do Capítulo Três

 

Atualização: Janeiro, 2006 - igreja@novaigreja.com.br

onalidades e, em Hamburgo, foi apresentado ao Príncipe Augustus e ao Príncipe Adolphus Frederic, recém-eleito herdeiro do trono sueco. O príncipe Adolphus leu, com muito gosto, o manuscrito do novo livro de Swedenborg e as críticas sobre seu penúltimo livro. Nos lugares onde esteve, Swedenborg visitou igrejas, fortificações, obras hidráulicas, edifícios públicos etc., como de hábito. O ponto alto dessa viagem, que provocou uma mudança inesperada em sua vida, será um dos tópicos focalizados no capítulo seguinte.

As duas primeiras partes de sua obra Regnum Animale - cuja elaboração englobava dezessete partes distintas - foi publicada na Haia, em 1744. A terceira parte foi publicada em Londres, em 1745; um volumoso acervo de informações coligidas e editadas não chegou a ser publicado. Examinaremos mais detalhadamente, nos próximos capítulos, esse acervo, bem como as duas obras acima mencionadas.

Fim do Capítulo Três

 

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